domingo, 12 de dezembro de 2010

So damn tired, sick and tired of it all

Cansei do fandom de futebol. Larguei de mão da faculdade. Não aguento mais não viver meus sonhos, não ter coragem para ir atrás deles. Não suporto não ser quem eu quero ser, e nem ao menos estar fazendo algo para ficar mais próxima dessa pessoa. Desisto de ficar me torturando me perguntando se sou boa o bastante para chegar onde eu quero chegar, de observar as pessoas acreditarem mais no meu potencial do que eu mesma acredito. Abandonei, por enquanto, o último livro do Haruki Murakami que eu estava lendo para focar só no do Neil Gaiman e ficar invejando e admirando o talento dele. As vezes eu quero não falar com ninguém, não fazer nada do que eu faço todos os dias, não me preocupar com nada que eu sempre me preocupo. Parei até de perseguir a barata que eu estava tentando matar com o genérico 'Mortein' por pura de preguiça de ir até meu quarto e pegar um chinelo. Não sei nem porque eu tenho um blog, um livejournal e um tumblr ao invés de centralizar tudo em uma rede social só. E ainda paro para me perguntar se quem acompanha alguma delas ficaria incomodado se eu começasse a publicar os mesmos textos em todas elas.

A barata finalmente sucumbiu. Caiu com as patas para cima aqui perto. Mandar às coisas a merda surte efeito, algumas vezes.

domingo, 17 de outubro de 2010


Certo? Isso quer dizer você sendo feliz enquanto eu sou feliz também. 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Na Na Na



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Kafka on the Shore

"According to Aristophanes in Plato's Symposium, in the ancient world of myth there were three types of people," Oshima says. "Have you heard about this?"
"No."
"In ancient times people weren't just male or female, but one of three types: male/male, male/female, or female/female. In other words, each person was made out of the components of two people. Everyone was happy with this arrangement and never really gave it much thought. But then God took a knife and cut everybody in half, right down the middle. So after that the world was divided just into male and female, the upshot being that people spend their time running around trying to locate their missing other half."
"Why did God do that?"
"Divide people in two? You got me. God works in mysterious ways. There's that whole wrath-of-God thing, all the excessive idealism and so on. My guess it was punishment for something. Like in the Bible. Adam and Eve and the Fall and so forth."
"Original sin," I say.
"That's right, original sin." Oshima holds his pencil between his middle and index fingers, twirling it ever so slightly as if testing the balance. "Anyway, my point is that it's really hard for people to live their lives alone."

Kafka on the Shore - Haruki Murakami

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A Maldição do Escritor

Direto ao assunto, todo mundo sabe que nada na vida acontece da maneira como você imaginou, ou até mesmo planejou. É algo com que você sempre pode contar, porque não importa o que seja ou do que se trate, pelo menos algo vai ser diferente do imaginado, isso se não for tudo completamente ao contrário.
Agora, creio eu que seja característico de pessoas com mais imaginação, uma veia mais artística (digo escritor no título porque é o que se aplica a mim, mas não quer dizer que seja algo exclusivo, infelizmente), gastar um bom tempo imaginando e criando situações mentalmente. Isso não se refere somente a sonhar com como vai ser seu casamento, em todos os detalhes e tudo mais, mas até mesmo a ir em um lugar onde nunca se foi antes. Pelo menos eu, nessas situações, passo algum tempo criando o lugar na minha mente, construindo uma idéia de como ele pode ser, só para chegar lá depois e ver que não é nada do que eu pensei. E duvido muito que só eu faça isso.
Pronto, está definida a maldição do escritor. A questão é, a partir do momento em que você pensa em como gostaria que algo acontecesse, você já está fazendo com que esse algo nunca aconteça dessa maneira. Vamos lá, em alguma situação da vida, alguém já se pegou falando depois "Nossa, foi exatamente como eu previ"? Não, porque é impossível, contra as próprias leis do universo. As coisas mais simples, até se visualizar lendo o próximo parágrafo, na hora que acontecer vai ter algo divergente de como você visualizou. 
Creio eu que as pessoas mais comuns, ou pelo menos as mais práticas, não desperdiçam energia e utilização cerebral para sonhar e divagar tanto, logo, não são tão afetadas pela maldição. Mas aqueles acostumados a passar horas a fio entretidos criando coisas na própria cabeça estão irremediavelmente condenados. É impossível parar de criar, muito difícil não se usar, de alguma forma, como personagem, e um trabalho árduo não criar prospectos para a própria vida. Impossível e prejudicial. As melhores cenas, as mais perfeitas (e inclusive perfeitas por abrangerem imperfeições), as que você daria tudo para que acontecessem... Não vão acontecer.
E isso é meio como uma máquina de decepções, ou no mínimo de resultados abaixo das expectativas. Pelo menos, existe a remota chance de que algo acabe sendo melhor do que o imaginado. Remota.

domingo, 12 de setembro de 2010

I've found a new way

Eu só queria contar que descobri meu novo (e verdadeiro) objetivo de vida. Ele consiste em me dedicar, me esforçar e correr atrás para poder, o mais brevemente possível, ficar parada em algum lugar tranqüilo o bastante ouvindo música, lendo, fumando e eventualmente jogando DS ou tendo o mínimo contato com o resto do mundo através da internet.
Como ensinam as grandes filosofias, é sempre bom ter objetivos bem estipulados. Vejam só, o meu é perfeito. Ele pode até ser dividido em pequenas partes:

1. Encontrar recursos e o local para ficar sozinha e em paz pelo resto da vida
2. Abastecer esse local com mais livros interessantes do que eu poderia ler antes de morrer
3. Garantir a existência de duas tomadas nesse lugar: uma para o notebook (por onde carregarei o iPod), uma para o DS
4. Ao menos uma luminária para iluminar a leitura à noite
5. Um estoque enorme de cigarros para os momentos em que eu tiver a fim de um. Álcool também, porque nós sabemos que isso faz bem para a vida

Reparem que nem comida será tão necessária, porque é fato que cigarros tiram a fome. De qualquer modo, é isso. Daqui para frente estarei trabalhando e estudando a fim de juntar o dinheiro necessário e, com sorte antes dos 23 ou algo perto disso, sumir da vida de todo mundo e me isolar na minha.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"nossa gustavo, voce não sabe como eu amo esse menino"


Mundo, você não sabe como eu amo esse menino. Deve ter algo de errado (deve?) com alguém que tenha aprendido tanto com um personagem de um seriado. Talvez não, quando esse personagem é ele. Sei que já falei dele, já falei um texto enorme sobre o que eu entendi da trajetória dele, mas não cheguei a comentar o que ele significa para mim. 
Cook é praticamente tudo que eu nunca fui. Menino, inconseqüente, usuário de drogas, filho de uma família destruída, cheio de problemas, agressivo, despreocupado, sem um futuro. Cook é praticamente tudo que eu sempre fui, apaixonado, repleto de amor pelos amigos, desesperado por um mundo melhor do que o que ele vive, um mundo diferente, viver algo diferente.
Cook, eu fico mal por o seu final ter sido como foi, fico triste por você não ter vido sua vida melhorar, por você não ter conseguido continuar com ela da maneira que você queria. Mas Cook, eu me sinto feliz por você ter terminado como você sempre foi, por ter sido fiel a si mesmo até o fim. O mundo espera por nós.

domingo, 22 de agosto de 2010

Continuamos falhando

Faz tempo que eu não posto aqui, mas é por falta de tempo e de saco mesmo. Mas a balada de ontem/hoje foi ÉPICA(mente fail) para eu não compartilhar.
Saímos eu e a Talita - grande Talita, companheira de diversos micos, de grandes momentos de falha, de desespero e de falta de noção pura - para ir na Outs, as duas naquela fé de que seria o dia em que colocaríamos um fim em nosso período sem ficar com caras lindos e estilosos. Como eu sou retardada (quem me conhece sabe), já fomos todo o caminho rindo que nem idiotas, porque falamos de assuntos que passavam desde Toot & Puddle, os porquinhos viados, até jogadores de futebol - porque né, a Talita também tem um amplo conhecimento sobre jogadores de futebol bonitos.
Logo, antes mesmo de chegarmos na Outs e bebermos, as duas já estavam mais brisadas do que muita gente fica usando drogas. E as primeiras horas de balada foram normais, na medida do possível, as coisas só começaram a sair do trilho quando apareceu o Zach Condon Fake dançando da maneira mais tosca/risível/surtada do mundo, digna daqueles filmes de sessão da tarde, só que claro que ninguém entrava na dele. 
Depois de bebermos uma tequila básica e percebermos que não ia rolar nada com os caras dali, entramos numa fase de profunda falta de preocupação com dignidade ou compostura. Tanto que chegamos no momento em que começamos a imitar a dança do Zach Condon Fake e, porque éramos retardadas, eu virei para ela e disse: "Talita, você é o Cesc Fabregas e eu sou o Van Persie. Vamos jogar futebol \o\" e começamos a fingir estar jogando (a pista estava furada, não tinha ninguém bonito e a gente estava pouco se importando mesmo), até o momento em que, no auge da minha glória futebolística imaginária, fui chutar ao gol e meu sapato saiu voando.
Sério. Nessa noite ainda tivemos muitas outras aventuras, incluindo a sala ocupada por espíritos, emos bolivianos nos perseguindo e eu mandando mensagens de texto terminadas em "mwahahaha" para todos da minha agenda. 
Ou seja, continuamos aí, continuamos na mesma.

domingo, 1 de agosto de 2010

que Deus nos ajude ao enfrentar agosto

Eu estava no tumblr ontem quando vi uma imagem falando sobre enfrentar agosto. Todo mundo fala sobre agosto ser o mês mais estranho do ano, com uma espécie de tendência a fazer as coisas não darem certo. Nunca tinha realmente analisado o assunto, mas quando eu parei para pensar, acabei vendo que verdade, essa época no ano passado foi quando tudo começou a dar errado, quando meu ano começou a virar um desastre. Meu primeiro beijo foi em agosto, a primeira vez que minha irmã foi para os Estados Unidos - também conhecido com um dos piores meses da minha vida - foi em um primeiro de agosto. Mês infernal.
Não gosto de dar credibilidade a crenças infundamentadas assim - oi, é um mês em doze, não tem nenhum motivo para ele carregar má sorte consigo. Mas se for para acreditar, ou ao menos se preocupar, e eu tenho motivos para temer que algo ruim aconteça nesse mês, como por exemplo o fato do meu tio estar com leucemia, eu vou acreditar que o bizarro do agosto desse ano é que tudo nele vai dar certo. Ele vai surpreender justamente por fugir a regra, por fazer com que eu me lembre dele depois como um dos melhores meses do ano. 
Entendam, isso vai acontecer. Pelo menos da minha parte, vai sim. E eu ainda poderia falar sobre vários outros assuntos aqui, dieta, jogadores de futebol ou meu vício no tumblr que me faz ser um pouco displicente com esse blog, mas eu nem estou com vontade.


Eu só queria falar, em resposta a um post de um amigo no blog dele - me dando ao convencimento de achar que ele se referia a mim, mas também, um pouco de falta de modéstia não mata ninguém - que Julho foi um ótimo mês. De verdade, um mês adorável, e eu amei cada minuto gasto falando de Sergios Ramos e Fernandos Torres e a seleção espanhola. Obrigada ♥

terça-feira, 27 de julho de 2010

férias de inverno

As férias estão quase acabando e eu sumi por quinze dias desse blog. Nem por falta do que falar, mas por preguiça mesmo. Ando escrevendo bastante, ultimamente, o que é ótimo. Tenho lido bastante também, mesmo que textos não muito úteis, por assim dizer. Não tenho feito quase nada além de trabalhar, sair com pessoas amáveis depois do trabalho e ir em shows nos finais de semana. Em uma mesma semana vi seis bandas diferentes tocarem, oi. Enfim, não foram as férias mais agitadas do mundo, mas está tudo bem e já está bom assim.
Então eu viciei em tumblr. E viciei em tumblr porque voltei a viciar em football slash. Nada muito diferente, nenhuma grande novidade. Meu sobrinho veio aqui no domingo e eu passei a tarde brincando com ele, e quando ele começou a chorar coloquei Guns n' Roses para ele ouvir e Cowboy Bebop para assistir. Fui em uma das melhores baladas ever e ela foi a melhor sem eu ter ficado com ninguém. Entrei no Vigilantes do Peso. Tive um dos finais de semana mais inesquecíveis da minha existência - até agora.
Acho que uma dose assim de normalidade era justamente o que eu precisava, e vai ser bastante útil quando as aulas voltarem. Fico pensando em como esse mês seria se não tivesse acontecido o que aconteceu há um tempo atrás, e chego na conclusão de que elas não seriam nem de longe tão tranqüilas.
Não tenho do que reclamar.

I've found a better way out

Sing to me in my sleep, Zachary.
Não conseguiria dizer, mesmo que quisesse e tentasse e tivesse nascido com o verdadeiro dom das palavras, o que ouvir Beirut faz comigo. Desde o começo, eu ouvia para me acalmar quando a vida parecia estar me atacando demais, ouvia quando os dias eram feios ou bonitos porque no final, ouvindo, eu sempre encontraria beleza. 
Agora, além disso, ainda ouço porque as músicas verdadeiramente me transportam para outros lugares. Não importa onde eu esteja, o quão ruim seja, quando a música começa eu vou para um lugar totalmente diferente, um lugar bonito, onde na maioria das vezes o céu está fechado e o fogo arde em algum lugar. Talvez seja a sonoridade, o clima cigano (é cigano? é só o que eu consigo associar, quando eu tento), talvez seja a voz do Zach Condon.
Mas a verdadeira magia é que, ouvindo Beirut, aquela voz, a perfeição, eu lembro que se existe algo como aquilo tudo vale a pena. E se isso não é música de verdade, se isso não a torna a melhor das bandas, eu não sei mais nada.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

days dawning, skins crawling

Você também já sentiu vontade de estar deitada, de preferência no chão frio, em um meio de tarde nublada ou uma manhã apática, sentindo-se totalmente alheia ao resto do mundo.
Tenho saudades de quando não fazia nada, e não queria fazer nada. Olhava o céu pela janela e me sentia depressiva, sentia que não existia, que estava fazendo algo de errado, e era bom. Eu não amava ninguém, não sonhava com nada, não desejava nada. Não prestava atenção na televisão ligada, nos livros para ler, na música tocando. Não pensava em mim mesma, nos meus sentimentos, nos meus sonhos, no que eu estava perdendo. Ficava lá imóvel e só era bonito, triste, amarelo, azul, cinza, libertador. Eu não era nada, estava morta, e então estava livre para não ser.
Tenho saudades de quando eu não me importava, só sentia.

O bom da depressão é que ela te isenta da responsabilidade de se preocupar

terça-feira, 6 de julho de 2010

Assim, eu me lembrei

Pelo menos a mais importante era que eu não deveria esquecer, jamais, mesmo quando com raiva, com saudades e magoada, do quanto eu gostei dele. Do quão feliz estar com ele me fazia, e do quão adorável ele era, de como fomos amigos. Lembrei que não devo mais esquecer que, não é porque nós não nos vimos nem nos falamos mais que aquilo foi menos real, menos importante ou menos verdadeiro.

O nome dele é Leonardo, sabe. E eu não sou obcecada ou perdidamente apaixonada por ele - só demorei um pouco para entender o que, afinal, eu senti por ele.

(Eu nunca tinha escrito esse nome aqui, ou em qualquer outro lugar, antes. Mas eu não tenho mais medo.)

Tinha algo para dizer aqui

Sobre o começo de Julho, a vontade de mudar, o desejo de fazer diferente, sobre revelações. Sobre a tortura que é o CFC, a quantidade de absurdos que sou obrigada a ouvir, a maneira como está difícil permanecer acordada, sobre como uns anti-ansiolíticos e aprender a não se importar tanto podem fazer uma pessoa mais feliz.
Vivo escrevendo mentalmente textos para publicar aqui, procuro inclusive imagens que posso usar para ilustrar, mas sempre acabo esquecendo ou postergando, e depois nem lembro mais o que eu ia falar.
Tenho uma lista de objetivos para essas férias, passando pelos mais clássicos até os mais inusitados. Mas acabei de ver a chamada para o jogo da Espanha e da Alemanha, na televisão, e me lembrei que quando eu era menor não conseguia entender como podiam passar supostas imagens do jogo na chamada dele, sendo que ele era ao vivo.
Ah, é isso. As vezes é bom não ter muito o que falar - pelo menos não tenho coisas ruins também.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

And all my bones began to shake, my eyes flew open

No more dreaming of the dead as if death itself was undone
No more calling like a crow for a boy, for a body in the garden
No more dreaming like a girl so in love, so in love
No more dreaming like a girl so in love, so in love
No more dreaming like a girl so in love with the wrong world
.Einz

domingo, 27 de junho de 2010

The Unforgiven II

Ela é The Unforgiven II. The Unforgiven II é uma mentira. The Unforgiven II é uma música do Metallica que não segue o estilo musical do Metallica, e muitos dos que gostam dela só gostam porque ela é uma música mais socialmente aceitável - mais popularmente aceitável - deles. Ela é diferente das outras baladas e músicas românticas (aliás, ela não é uma música sobre amor), talvez até para o melhor. Ela não é pesada, não tem tantas guitarras e não é tão agressiva - ou genuína - como a maioria das músicas do Metallica. The Unforgiven II é uma música para quem não gosta de metal, para quem não conhece realmente metal, mas acha legal dizer que conhece e gosta de uma música de uma banda de metal, ao invés de qualquer outra música mais autêntica.
Agora, The Unforgiven II não é a música favorita de ninguém. Pelo menos não deveria ser. Isso porque The Unforgiven II está perdida num limbo de músicas deslocadas, ou seja, quem gosta de metal não vai gostar preferencialmente dela, quem não gosta também não, porque tem outras que são melhores. The Unforgiven II não é única nem ao menos dentro de seu próprio nicho de baladas de uma banda de metal, porque existe também a The Unforgiven e a The Unforgiven III
O vídeo de The Unforgiven tentou ser algo mais complexo e profundo do que a própria música, do que a maneira como a própria música era vista. Claramente, falhou. Quem tinha aceitado The Unforgiven II como a "única música que eu gosto" não era o tipo de pessoa que gosta de clipes com significados não óbvios, fotografia não tão bonita e mais de três minutos.
Ela é The Unforgiven II. Fez sucesso por um tempo, continua na cabeça das pessoas, mas não é uma música amada, ou amável. Ela é o simulacro de algo diferente, com estilo, independente e original. As pessoas podem gostar dela, as pessoas podem se apaixonar por ela, podem ter relacionamentos com ela, mas sabe, The Unforgiven II, apesar de popular, não é lá grande coisa. E todo mundo, no final, alguma hora acaba enjoando dela.

But now I see the sun

Tem músicas demais no meu coração e no meu iPod para eu gastar tempo, ou energia, me preocupando com The Unforgiven II.

sábado, 26 de junho de 2010

Nada me faltará

Última aula antes da última prova. Nós somos os persistentes. Outros abandonaram a matéria depois da primeira prova, outros depois da segunda, nós somos os que continuaram indo, assistindo, somos os que estão na faculdade praticamente vazia, onde até mesmo todo o comércio lá estabelecido já entrou em férias.
É sexta a noite. Poderíamos estar bebendo, dormindo, fazendo nada na internet. Poderíamos estar em qualquer outro lugar onde o nome Euler nunca seria citado. Estamos pensando nisso. É quando o professor, notando esse clima de desolação e devaneio da sala, pergunta:

"Vocês estão prestando atenção?"
Somos os perseverantes. Nesse ponto, só resta a sinceridade. A sala balança a cabeça, ou diz "não", na verdade tão distraída dali que nem estava pensando no que estava respondendo. O professor, desconsolado, profere uma das típicas frases dele que, quando eu já tiver passado, sentirei falta:

"Ótimo. Estive pregando para as areias do deserto"
Preciso de 2 pontos de 7 na prova de terça-feira.  


See ya in anotha life, brotha.

Ou melhor, em estatística.

sábado, 19 de junho de 2010

Like brothers on a hotel bed

Pensei que a música se encaixava, que combinava. Pensei que falava bastante desse momento, pelo qual até mesmo irmãos passam, de se afastar, de mudanças. 
Então pensei que é uma música bonita demais, delicada e complexa demais para associar a você.
E é assim que estamos agora.
(Ano passado, houve um tempo em que eu pensava na Gisele com Brothers on a Hotel Bed, e também com Fluorescent Adolescent. A diferença é que sempre que essas músicas se relacionavam com o que eu estava passando com ela, eu ficava triste. Eu me afasto da Gisele por fases de transição naturais da vida, e nós sempre acabamos voltando. Entende? Não tem como comparar. E eu não consigo me preocupar)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Brindar no Paraíso com Gauss

A faculdade é o local com a maior concentração de pessoas notavelmente loucas por metro quadrado que eu freqüento. Claro que isso se deve ao fato de que, primeiro, que pessoa normal faz um superior em exatas, e que pessoa ajustada faz, sabe, Processos de Produção. Assim, eu já sabia disso. O que aconteceu hoje foi que a magnitude desse fato me atingiu em cheio, para lembrar que não, não é melhor do que eu achava.
Estávamos estudando cálculo, matéria mais surtada de todas. É engraçado que, quando estudando assim, precisa de muito pouco tempo para que todo mundo pare de falar coisas com sentido. Talvez uma parte obscura de nosso cérebro seja ativada,  talvez  ele simplesmente esteja ocupado demais pensando para formar frases com nexo, mas chegamos a níveis que, em véspera de prova de Mecânica dos Fluidos, nego demora para lembrar o nome dois pais, mas fala direitinho a Equação de Bernoulli. Enfim, estávamos unindo nossos intelectos para entender o que o professor tinha feito em um exercício lá de limites (trivial, altamente trivial) quando, depois de eu dizer algo eu sinceramente não lembro o que foi, Alexandre balança a cabeça e diz "Você não vai brindar no Paraíso com Gauss".
Acho que minha expressão ao ouvir isso deve ter sido de maior incredulidade, ou vontade de não acreditar, do mundo. Entenda, ele estava obviamente brincando, mas formular uma frase dessas, uma frase dessas, brindar no paraíso com Gauss, a pessoa não tem mais volta. E como eu gosto muito do Alexandre, estava aterrorizada e em choque, tanto que só consegui falar um "O que?", pedindo aos céus que tivesse alguma explicação para aquele surto, o que foi felizmente respondido, quando ele disse "Nunca ouviu o Arthur dizendo isso?".
Nosso professor é um exemplo clássico de alma perdida entre sutilidades matemáticas. Agradeci por aquilo não ter surgido do Alexandre, ri com o absurdo daquelas palavras, discutimos o ato de encontrar algum cara chamado Gauss na estação Paraíso e brindar com ele, e voltamos a estudar.

Sabe, eu posso ser louca, mas continuo tendo meus limites.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Parecia uma postagem

Eu estava lendo quando me ocorreu, não tão repentinamente, o quão sem sentido é dizer algo como "Parecia X". Porque no momento em que alguém ouve, ou lê, "Parecia X", a pessoa nunca vai imaginar algo parecido com X, e sim simplesmente X. Por exemplo, alguém vem e te diz "Eu estava andando e vi algo parecido com um carro". O que a pessoa viu não era um carro, porque senão ela teria dito que era um carro - ou então podia até ser, e ela usou o "parecia" como índice de incerteza. O ponto é, você nunca vai se dar ao trabalho de visualizar algo que se pareça com um carro, mas não é - seu cérebro vai poupar esforço e colocar logo um carro. 
Não pode ser que isso aconteça somente comigo. Lendo ou ouvindo, a não ser que seja muito primordial, ninguém vai parar para criar um conceito de algo que se pareça com algo, mas não seja esse algo. E mesmo quando é primordial - digamos que estejam te falando sobre alguém que parece o Tom Cruise, você pode não imaginar o Tom Cruise, mas também não vai se desgastar trabalhando uma imagem mental. 
O "parecer", nesses casos, perde todo seu sentido. Mais fácil se alguém disser "Estava andando e vi um carro que não era um carro", ou simplesmente "vi um carro", porque pouca diferença vai fazer para quem está recebendo a mensagem. Só que aí o significado do verbo parecer não vai ser perdido. Enfim, era isso.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

I'll march my band out

Então, não estou fazendo grandes movimentos, nem nada. A vida segue normal, calma e rotineira, mas eu nem estou reclamando, nem estou desesperada para que algo incrível aconteça, para que meus dias sejam maravilhosos e emocionantes, está bom assim. O DS voltou, eu quase surtei porque consegui me superar e esqueci minha carteira (leia-se todo meu dinheiro, meu cartão e meus documentos) em casa e até meu sono parece ter assumido outro ritmo, está mais tranqüilo e bem mais criativo.A faculdade continua a mesma, as pessoas com quem eu convivo são as mesmas, e o bom é que eu parei de me estressar esperando que elas mudem, porque né, nunca vai mudar.
Tenho novos planos, e estou feliz com eles. Tenho novos objetivos e novas expectativas, e estou feliz com eles. Tenho um remédio fitoterápico para me fazer menos ansiosa, e pelo menos o placebo dele me deixa feliz, também. A vida não é boa, a vida é a vida e está bem assim. O que eu não gostar eu vou lá e mudo, o que eu não conseguir mudar eu vejo depois.

Don't bring around a cloud
To rain on my parade
Nem ao menos tente.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Nessa mesma época, ano passado,

eu estava vivendo o que eu constataria depois os que foram os melhores meses do ano. Maio, Junho e Julho foram meses tranqüilos e felizes, cheios de histórias, de fangirl joy, de passar o tempo com amigas amáveis, de não ter que se preocupar muito com nada, de jogar DS e pensar "a vida é realmente boa". Mais do que todos, Julho foi o melhor mês. Eu acordava tarde, trabalhava pouco, saia cedo, quando ainda tinha sol, em uma vizinhança legal, não tinha faculdade para ir nem obrigação nenhuma, só a de escrever enquanto eu tomava café e terminar Elite Beat Agents.
Nesses meses, ano passado, eu achei que tudo tinha mudado para valer, e para melhor. Que eu era uma pessoa nova, mais feliz, que eu estava e continuaria naquele nível de descontração e humor. Eu tinha encontrado a fórmula. Mas quando Agosto chegou, e eu fui trabalhar no pior lugar possível, e eu parei de ter tempo para aqueles pequenos prazeres que eu amava, e consegui me enfiar no sentimento e na obsessão mais doentia que eu já estive até agora. Agosto chegou e até Dezembro meu ano foi totalmente por água abaixo, destruído por seis meses de stress emocional, decepção com os outros e comigo mesma, pela minha capacidade de fazer coisas estúpidas e insistir em comportamentos estúpidos.
Tanto que eu só fui lembrar agora que antes daquele inferno meu ano tinha sido agradável. Com a chegada do mesmo período. E mesmo que eu não tenha tanto tempo livre, nem uma paixão saudável por um fandom, nem a constante oportunidade de tomar café e escrever, a mesma sensação está de volta. Que dá sim para eu ter uma vida calma, ser uma pessoa tranqüila e feliz. E que, dessa vez, eu sei melhor. Melhor do que deixar qualquer outra coisa estragar mais um ano. Melhor do que permitir que algo ou alguém atrapalhe a minha vida. 
To boldly go.
Então aqui vamos nós, de novo. 
(Pensando bem agora, uma das maiores características desses meses do ano passado foi que eu tinha me livrado da necessidade patológica de não estar sempre sozinha. Eu passava o dia sozinha e estava feliz assim, só mantendo contato com as pessoas que me faziam bem e feliz. Melhor deixar isso aqui anotado, para eu lembrar de não esquecer que eu consigo e que é bom ser assim)

sábado, 22 de maio de 2010

O Retrato

Dia desses, há menos de um mês, eu finalmente resolvi assistir Dorian Gray, o filme, aquele com o Ben Barnes e o Mark Darcy Colin Firth. Claro, com todos os preconceitos e receios possíveis. Primeiro porque Ben Barnes passa longe da descrição física do Dorian, segundo porque nunca vi no livro história o bastante para fazer um filme.
Entenda-se, a trama é muito pouco em O Retrato de Dorian Gray, ou pelo menos em sempre vi assim. Como quase todas as outras obras do Oscar Wilde, o que importa mesmo, a verdadeira essência, é a divagação filosófica dele, também conhecida por muitos como baboseira pseudo-intelectual. Tudo que o Wilde escreve é assim - afinal, estamos falando do cara que, quando estava na prisão e foi escrever uma carta para o ex-amante dele (que era também a razão por ele estar lá), acabou gastando mais da metade das folhas refletindo sobre a vida e a natureza humana. Tem quem não goste, eu adoro. Enfim, esse não é o ponto.
Voltando, o livro não tem lá muita trama. A maior parte é o Lord Henry divagando, a outra parte, bem menor, foca no Dorian. Em questão de ação não tem muito o que falar - Dorian está no ateliê, surta depois de (oh really?) um discurso do Henry, rola o pacto com o Retrato (q), ele se apaixona pela Sybil, surta depois de um discurso do Henry, ela morre, ele vira um porra louca hedonista e amoral, sempre influenciado pelos... discursos do Henry (que quem não leu já deve ter sacado que é o verdadeiro personagem principal dessa história). Eu não estava entendendo como poderia render um filme. 
Na verdade, não rende. Tanto que inventaram umas viagens muito loucas depois da metade. Mas algo interessante é que, justamente pelo livro não se aprofundar muito no assunto, o filme vai bem na tarefa de ilustrar a trajetória do Dorian, que fica meio perdida na história. Ele é bom para mostrar a vida que o Dorian estava vivendo, criar os cenários de devassidão, o que acabou me dando uma outra visão sobre a obra, principalmente no que se refere à corrupção do personagem. 
Fiquei feliz por, mesmo com um final absurdo, o filme ter feito isso. Ainda que o Ben Barnes não corresponda em beleza nem o Colin Firth em sofisticação. Adaptações de obras são boas para isso, para te dar novas visões e coisas assim. Claro, eu gastei tudo isso para refletir sobre a importância de vencer preconceitos e de se abrir a novas perspectivas, e afinal, se tem algo em que o filme falha miseravelmente é passar para a pessoa todo esse espírito Oscar Wilde, tão belamente expresso por mim aqui.

 
Então, eu imaginava o Dorian assim. Mas também, quem não pensa no Björn Andrésen quando se fala de  beleza clássica?

domingo, 16 de maio de 2010

Obrigada,

Universo, por ter feito isso por mim. Por ter me trazido ele, e com ele, a chance de curar uma ferida há tempos aberta. Obrigada por ter injustificado meu medo de me aproximar dele, de me deixar gostar dele, de suportar ver algo que eu já tinha visto acontecendo acontecer de novo, e de no final, mesmo que o final esteja muito, muito longe, saber que foi totalmente diferente.
Não, eu não enxergo ele como apenas uma compensação cósmica. Não, nunca. Ele é tão mais do que isso, e eu já o amo tanto, tão mais. Apesar de todas as semelhanças assustadoras, eles dois são tão diferentes, e é essa diferença que faz com que nossos relacionamentos sejam diferentes também, mesmo que parecidos.  Somos mais íntimos, mais próximos, mais unidos, em muito menos tempo. Eu não consigo ser alguém diferente de mim mesma, com ele. É difícil fingir, disfarçar. E mesmo que isso fosse razão suficiente para fazer eu morrer de medo e me afastar, eu não consigo, nem quero. 
Sou boba, quando o assunto é ele. Ele e seus abraços que melhoram dias, ele e chatisse dele, a insistência em implicar comigo, as besteiras que ele fala, os comentários inteligentes, ele que se lesse isso riria de mim, e não falaria nada. Se eu fosse mais esperta, criaria algum mecanismo de defesa, me protegeria um pouco. Mas não consigo, não quero. Até porque, nos momentos em que eu quero, ele me abraça e eu logo esqueço. Ele é meu irmão mais velho, meu amigo, e eu posso amá-lo sem me impor limites.


Ah, Universo, Destino, qualquer coisa, obrigada. E por favor, faça com que isso não acabe.

sábado, 1 de maio de 2010

O que você nunca vai ler, parte ? de ?

Eu queria saber por que, naquele dia, você sentou do meu lado. Ou então, eu queria lembrar, do que estava acontecendo antes, para ver se eu conseguiria entender melhor, mas eu não lembro nem do antes nem do depois. Eu lembro que era um dia de sol, que o céu estava azul e limpo, e que aqueles jardins não estavam tão odiosos como eles costumavam ser. Lembro que, em algum momento, nós dois estávamos em silêncio, e eu olhei para o céu, depois para a grama e senti o sol batendo na minha pele, enquanto ouvia o nosso silêncio compartilhado e sabia que você estava lá, do meu lado.
Eu lembro que, ali mesmo, eu já sabia que continuaria lembrando daquele instante. Que aquela cena continuaria comigo, e que quando eu parasse e pensasse nos melhores momentos da minha vida, aquele viria na minha mente. Nunca tinha sido tão bonito, tão certo. Eu nunca tinha sentido algo tão forte, tão desesperadamente forte, por alguém. E nisso eu não fazia idéia do que você estava pensando, de porque você estava ali.
Ainda, quando tem sol, céu azul e silêncio, eu lembro de você. Ainda, quando eu me pergunto se eu já amei alguém, eu penso em você. Ainda desperdiço algumas lágrimas com você, a cada dois ou três meses. Mas, para minha sorte, são poucos os dias de clima bom e silêncio em São Paulo, e eu ainda gosto mais de pensar no que está por vir do que no que já passou. Porque por mais que tenha sido bonito, dói mais do que eu acho que deveria doer. Porque eu nunca vou saber se você pensa em mim. Porque eu sei que você nunca fui para você o que você foi para mim. E porque, mesmo assim, em nenhum momento eu escolheria não ter estado ali, com você.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

And its only because you're feeling alone!

At first when I see you cry
Yeah it makes me smile
Yeah it makes me smile
At worst I feel bad for a while
But then I just smile 

Bruna e a escola Lily Allen de relacionamentos.

domingo, 25 de abril de 2010

Sobre crueldade infantil, ou uma história vinda do nada.

Eu devia ter 8, 9 anos e tinha acabado de começar a andar de bicicleta - sim, em algum momento da minha vida, eu sabia andar de bicicleta, e não, ao contrário do que dizem, eu realmente não sei mais - e passava bastante tempo, até, andando na rua com ela. Estava em um nível tão avançado que eu tinha ido até a bicicletaria e instalado uma buzininha vermelha, muito simpática, que me elevava ao nível de ciclista consciente e fazia eu deixar de ser noob, ao menos ao meu ver.
Então, estava eu um dia, andando pela rua, no horário que as crianças que estudavam a tarde estavam voltando para casa. Não gostava muito do horário, porque a rua ficava mais lotada e era menos divertido, mas tudo bem. Até que veio esse menino e implicou com a buzina da minha bicicleta, começando a apertar insistentemente e impedindo que eu continuasse a pedalar. Facilmente irritável como eu sempre fui, comecei a ficar mais e mais nervosa com o menino, um garoto moreno e magrinho, segurando o material escolar, da minha idade, até que, no meu maior ato de crueldade infantil, comecei:
"Vem cá, em que escola você estuda?"
O garoto respondeu, sem pensar muito, e mais preocupado com a maldita buzina, que estudava no Alberto. O Alberto é uma das escolas públicas aqui perto da minha casa, e inclusive tinha sido perto dela onde eu tinha comprado a buzina. Enfim, eu estudava numa escola particular considerada uma das três melhores da região - e sim, isso não quer dizer nada. Eu não tinha nenhuma noção de status por estudar em escola particular, mas sabia que estudava em uma porque elas eram melhores que as públicas, até porque se não fossem minha mãe não pagaria. Tomada por um espírito de superioridade e uma vontade de fazer o garoto sumir, disse:
"Nossa, o Alberto é uma escola horrível. Eu estudo no Objetivo, sabe, que é muito melhor. Pobre de você, que tem que estudar lá".
Aí sim, o garoto parou de apertar a buzina, para me olhar. Ficou um tempo sem falar nada, digerindo o que eu tinha dito, e não sei por qual motivo, se era por querer provar que o dele era melhor, ou porque ele realmente gostava do colégio, disse - "Não, o Alberto é a melhor escola do mundo", e eu - "Não é não, e todo mundo sabe disso".
Acho que eu nunca tinha visto alguém tão magoado, porque o olhar do garoto me marcou. Ele deu as costas e foi embora, continuando o caminho para casa dele, e eu desisti de brincar na rua e entrei na minha, instantaneamente arrependida. Eu sabia que tinha feito algo errado e machucado ele, e queria pedir desculpas e dizer que o Alberto era sim, uma ótima escola, mas eu nunca mais vi o garoto. Até hoje, quando eu lembro disso, me sinto mal por ter agido daquele jeito, e espero, de verdade, que ele tenha desejado mostrar para mim o quão melhor a escola dele era, que hoje ele esteja em uma faculdade muito foda, e que seja mais bem sucedido que a garota mimada que desdenhou dele quando ele era menor.
Claro que ele também pode ter esquecido de mim assim que chegou em casa, mas eu não tenho como saber o que aconteceu com ele. Porque ele parou de passar na minha rua, eu parei de andar de bicicleta. Mas eu ainda me sinto mal toda vez que lembro daquele dia. Se serve para alguma coisa, eu nunca magoei alguém intencionalmente, depois disso. Pelo contrário, sou completamente incapaz de faze-lo. Não consigo lamentar ter sido, algum dia, também.

domingo, 18 de abril de 2010

So we all spoke in tongues

(Esse é o post emotivo. O post completo e detalhado vai para o LJ, e vai para a Dri, porque eu disse que o faria e porque eu quero fazer.)

Então, noite passada. Ontem. Eu achava que não ia sentir aquela coisa de "Ai deus, são eles, é o Placebo" quando visse os integrantes ali, de perto, mas senti. É impossível, depois da expectativa, das horas esperando, do vídeo de abertura e as luzes apagadas, não sentir várias coisas explodindo dentro de você quando o Steve, depois o Stefan e depois o Brian Molko entram no palco, e começam a tocar. Eu amo aquela banda, e ver eles ali, tão perto, tão reais, é questão sim de ser fangirl e se emocionar. A banda que escreveu as músicas que eu ouço todos os dias, que me acompanharam em vários momentos da minha vida, me animaram, me ajudaram quando eu estava deprimida, me trouxeram várias pessoas importantes, essa banda, ela estava a menos de dois metros, um pouco acima de mim, e estava lá para cantar essas mesmas músicas ao vivo, somente para nós.
Eu gritei, eu pulei, chorei e cantei com o Molko tudo aquilo que também estava dentro de mim. Ah, vocês que estão lendo, vocês entendem a conexão? Está dentro de mim, está dentro dele, está dentro de todas aquelas outras pessoas, e nós todos estávamos ali juntos, cantando. Você se identifica com milhares de coisas, eu me identifico com diversos autores, mas não teremos muito a chance de escrevermos juntos. Mas com a música, em um show, é isso que acontece. Você não está só ouvindo a bateria, está vendo o Steve tocando a dele freneticamente, você está vendo o Stefan e a conexão surreal que ele tem com o baixo dele, e está vendo, ouvindo e cantando com o Brian e a voz, aquela voz, the voice that made me cry.
Antes de começar Speak in Tongues o Brian falou de igrejas, de pessoas que entram em frenesi, recebem o espírito santo e começam a falar em línguas. Engraçado, aconteceu algo muito próximo disso, ontem, e não foi só comigo, foi também com todos aqueles que fizeram o coro enquanto diziam, com a voz do Brian, que we can build a new tomorrow. Que pularam mais alto, gritaram mais alto e deixaram tudo para trás quando ficou, por nossa conta, o Para pa pa pa ra ra ra de Special K. Que deixaram pequenas partes de si em cada verso cantado em uníssono. Que deixaram um pedaço delas mesmas naquele dia, naquele lugar, naquele show.
Como diz a Brenda, no one can take 17.04.10 away from me. Nós somos os fucking Molko Boys e Molko Girls, e estávamos lá, do primeiro acorde de For what is Worth até o último de Taste in Men. E continuaremos sendo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Prestando contas (?)

Eu, sendo louca como sou, faço um post completamente surtado e nem lembro de comentar o que aconteceu depois. Vamos lá, o que aconteceu depois, amados leitores, foi que eu tive uma conversa muito madura e sincera com o ele, na qual ele disse que não sentia atração por mim, amava outra garota e tals e na qual nós concordamos em sermos amigos e tudo mais. 
Não fiquem tristes por mim! Foi definitivamente o melhor que poderia acontecer, mesmo. Por diversos motivos, amáveis motivos. Falo depois, ou não.Mas quem acha que com isso, o surto acabou, está muito, muito enganado.
Aguardem por mais capítulos dessa incrível, emocionante, divertida e apaixonante história que é minha vida! 


-n

6 dias.

Eu estava voltando para casa hoje e pensando se eu já tinha algum plano para semana que vem, algo legal para fazer. Aí que eu lembrei que sim, sábado que vem eu tenho algo para fazer. E não é algo, é algo. Tipo, fiquei besta com como eu tinha sido capaz de esquecer. E então a ficha caiu.
Seis dias. SEIS FUCKING DIAS, cara. Acho que quem não é apaixonado por uma banda não sabe o que é isso, o sentimento de saber que tempos atrás estavam especulando que ia ter um show, depois confirmaram, depois você foi lá e comprou o ingresso e que agora, em menos de uma semana, ele já vai acontecer. 
27.03.07 foi um dos melhores dias da minha vida. 17.04.10 também vai ser. Não importa o que aconteça, antes ou depois, sei que vai ser um dia incrível, que eu vou aproveitar absurdamente. É estranho, saber que um dia vai ser tão bom e importante assim, pelo menos para mim, acostumada a não viver esperando muito de cada dia, para não me decepcionar se eles acabarem sendo ruins. Dá até aquele medo de pensar nisso, sabe, vai que a vida resolve me ferrar e dá um jeito de estragar.
Aliás, já começa até a dar alguma saudade do show. Eu, sendo tão estranha que sinto saudades de algo que ainda vai acontecer. Mas o ponto é que eu sei que no momento que eles saírem do palco, eu vou querer tudo de novo. Mas não importa, vai ser foda e isso é o bastante.
Enfim, agora começa a preocupação com a parte prática da coisa. Que roupa usar, como levar o material da faculdade, como voltar para casa. Agora começa quase a melhor parte, a da expectativa. Isso que é o incrível, o show só vai durar umas três horas, mais vai fazer valer o mês inteiro, vai deixar toda essa semana especial, e eu vou lembrar dele por anos ♥

(Agora já é segunda, então, CINCO DIAS!

Contagem regressiva para sábado, fato.)

domingo, 4 de abril de 2010

Hakuna Matata

Minha mãe trouxe o meu filme favorito em DVD. Sabe, toda a emoção de assistir O Rei Leão de novo e tudo mais. O filme acaba de começar, estamos na cena em que o Mufasa leva o Simba para mostrar o reino e depois o Zazu chega, e então SURPRESA, ele começa a cantar.
Eu e minha mãe com aquela cara de -Q
Qual o problema das pessoas em deixar suas memórias de infância intactas? Por que precisa mudar? Eu sabia todos os diálogos e músicas, para depois aparecer o Zazu cantando o relatório matinal e shit like that? Revolta, revolta. Além disso, essas letras de filmes da Disney não são para crianças, porque né, difícil de entender o que eles dizem. Até mesmo agora que eu, er, cresci. Mas enfim, aí vem a melhor parte. O filme continua, o Simba cresce e em um momento, na cena em que o babuíno descobre que ele ainda está vivo, minha mãe diz:

"Gente, acho um barato o MACACO MACUMBEIRO".


Hakuna Matata, Hakuna Matata. Filosofia de vida.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Estranha, surtada, complexada e provavelmente continuando assim.

Eu estou apaixonada. Ou não. Enfim, não é a questão. Eu estou bastante é surtada. Surtada é uma ótima palavra para me definir. Toda uma vibe "Vou fazer isso para ver depois no que vai dar" e assim, fazer e depois ficar louca observando no que deu.Sei que não deu para entender nada com essa introdução, então vamos logo para a parte prática:
Exemplo #1.]
Hoje eu consegui passar meia hora pensando se eu deveria ou não tocar na mão do ele. (O nome do ele está sendo omitido porque ele é tosco, nada de OMG SIGILO NA INTERNETZ, é que eu não tenho muito orgulho de ficar falando que provavelmente estou apaixonada por ele).Mas assim, discussão INTENSA comigo mesma, eu tentava mover minha mão, não conseguia, parava no meio do caminho, pensava no que poderia acontecer se eu fizesse (ele ia perceber? reclamar? gostar? ignorar?), se eu me arrependeria se não fizesse (carpe diem? o RSL se matou por causa disso! e se desse merda, valeria o sofrimento com o auto-flagelo depois?), o porquê de eu querer fazer, quais as possíveis conseqüências do meu ato e se minha insegurança em fazê-lo poderia estar relacionada a algum complexo com minha auto-imagem. E o pior, enquanto eu discutia comigo mesma eu ficava pensando que tudo aquilo era muito romântico (no sentido de mal do século, não música do Phil Collins), fanfictício (sério, Bruna, discutir consigo mesma por tocar em alguém? quer algo mais clichê Harry/Draco do que isso?) e niilista. Puro Rodion Raskólnikov. Aí eu divergia para pensar que ele deveria ter ficado de um jeito parecido com aquele antes de matar a agiota (mals pelo spoiler de Crime e Castigo) e que se eu fosse mais inteligente eu podia aproveitar aquilo para tentar escrever algo que prestasse. 
Mas aí que no final eu fui e toquei na mão do ele, que como é ele foi um idiota e não fez PORRA NENHUMA e eu fiquei extremamente frustrada porque esperava algo mais legal. Fiquei deprimida com o resultado por uns dez minutos e depois voltei a prestar atenção no professor.
CORTA.
Exemplo #2.]
Ontem eu beijei ele. Hoje também. Ontem a idéia surgiu na minha mente do nada, exatamente "Nossa, eu podia beijar ele quando eu fosse me despedir, né?" e então meu coração disparou (amor? adrenalina? resposta do meu corpo ao quão idiota eu conseguia ser?) e eu fiquei com o pensamento em loop até eu me levantar e me despedir dele com uns selinhos. E logo depois minha diversão se tornou ficar pensando no que estava se passando na cabeça dele, e discutir o assunto com o pobre do Henrique, que foi usado como conselheiro amoroso e analista da psique masculina. E tal como um jogador de RPG, um estrategista de guerra ou alguém sem mais nada para fazer, passei a planejar como seria o próximo passo. 
Próximo passo foi o FAIL da mão hoje e dar um selinho nele na despedida também, dessa vez com o Henrique como observador (para poder compartilhar uma opinião mais consolidada depois!). E nossa, selinho é uma coisa tão tosca que você dá até no seu cachorro, mas ele conseguiu fazer disso algo horrível. Normalmente, eu entraria em crise, ficaria triste e shit porque ele quer meu amor e minha vingança. Mas né, estado mental alterado, eu fui assistir Cashemere Mafia no iPod. 
(Pausa para reflexão: Qual é o fucking problema das pessoas com as amizades com benefícios? Por que essa neura de transformar tudo em relacionamento e comprometimento e casualidade é coisa de gente promíscua? Amigos com benefícios é tipos a coisa mais genial já inventada, mas ninguém entende isso. Bando de filho da Disney esperando por amor da vida e alma-gêmea e essa porcaria toda, ao invés de entender a beleza do pegue e não se apegue.)
(Pausa para reflexão, parte 2: Não acredito que eu acabei de escrever a pausa para reflexão acima. Mais especificamente, não acredito que usei a expressão "pegue e não se apegue")
Exemplo #3.]
Eu sei que isso é tosco pra cacete, mas eu tenho certeza que vou continuar com as, hum, experiências. Até porque elas incluem também várias outras coisas além do ele, eu só não falei aqui porque as do ele são mais tocas e, portanto, mais legais de serem contadas. Reputação para que, né? De novo, INTERNET meu, só quem vai ler isso vai ser minha irmã, que vai começar a cogitar a possibilidade de eu estar usando drogas de novo (Rita, me liga! Tudo bem com o Mi?).  E no que é sério mesmo (LEIA-SE: DINHEIRO) eu estou mantendo drasticamente a linha, toda responsável e tals. Mas vamos lá, eu surto, reconheço o surto, identifico todo o nível de FAIL da situação toda e insisto nela.
BTW, eu tenho o que fazer. Deveria estar dormindo para acordar cedo e ir trabalhar, por exemplo. E estudar mais. Ler mais. Prova e coisas assim. Mas tem toda uma beleza em ser louca (NOT) e eu estou adorando, de alguma maneira torta, isso. Altas esperanças de nascer o espírito Rimbaud e sair por aí tentando experimentar tudo que existe no mundo. É. Senta lá, Bruna.
(Pausa para reflexão, parte 3, final: Não acredito que publiquei isso. Não dou duas semanas para eu surtar e deletar o post.)

domingo, 28 de março de 2010

Não preciso estar em Paris.

Dia cansativo. Acordei cedo, ônibus e metrô na manhã de sábado para ir para a faculdade. Aula cansativa, sala abafada, professora passando mal. Não basta ter a primeira aula de manhã, mas precisa também esperar duas horas para a próxima aula. Cantina, sinuca, e quando finalmente chegou 11h concluímos que o dia estava cansado demais e nós estávamos cansadas demais para ela, então fomos para o túnel, desligamos a luz e nos acomodamos no sofá, para dormirmos um pouco e estarmos não tão cansadas para a aula da tarde, que era mais importante. Ela, por ser como ela faz, lutou um pouco para achar uma posição confortável no único, acabado e mofado sofá da faculdade, e logo depois desmaiou. Eu, por ser como eu faço, liguei o iPod, selecionei Édith Piaf e comecei a batalha para pegar no sono naquela sala quente e abafada e no sofá desconfortável. Mais ouvi do que dormi, como era de se esperar. 
Piaf soa como Paris, para mim. Nunca estive em Paris, mas pelo o que eu vi e pelo o que ouvi falar, Piaf soa como Paris. Clima perfeito como no começo de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Cidade bonita, ruas bonitas, construções bonitas, tudo perfeito para alguém ser feliz. Eu não estava na sala escura e no sofá acabado, eu estava em Paris. Duas horas em Paris. Eu estava feliz, sonolenta, tinha boa música e imagens mentais/sonhos de dia ensolarado em uma cidade bonita. Quando tive que acordar (e acordar com bixos acendendo a luz e achando que o túnel do Centro Acadêmico era um lugar para estudar!), eu só consegui pensar que eu realmente queria estar em Paris
Aula da tarde. A aula é realmente interessante, se a pessoa é do tipo que consegue se interessar por mecânica dos fluidos. Mas a sala ainda era abafada, e nós ainda estávamos cansadas. Cansadas o bastante para não querermos fazer nada depois da aula, como era o nosso costume. Na verdade, eu queria fazer algo, mas sabe, cansaço. A aula acabou, e íamos para casa, mas nós somos nós e como nós fazemos, a gente concordou que seria mais divertido fazer algo na Vila Mariana e deixar para descansar a noite mesmo. Shopping Santa Cruz.
Comer em restaurante fast-food e conversar, falar e falar e falar. Sobre tatuagens, sobre relacionamentos, sobre músicas, sobre casamentos. Só parar de falar para prestar atenção no casamento na igreja em frente ao restaurante.Só sair dele para poder ver melhor a noiva entrando na igreja. E depois continuar a falar sobre como seria o nosso casamento, e ir e passar em uma loja para comprar coisas bobas, e voltar para o Shopping. Ir na loja de fast-fashion. Escolher umas roupas para experimentar, escolher umas lingeries para experimentar.  Gastar uma hora experimentando, sabe, programa de meninas. Cada uma comprou só uma peça. Depois sair, ir na livraria, e ficarmos só passeando até ela encontrar um livro sobre desenhos animados. Já era tarde, mas ver o livro, lembrar dos desenhos e falar sobre eles era irresistível demais. Até agora eu não acredito que falava sobre Marsupilami. Que eu tinha esquecido de Marsupilami. Que ela não gosta do Bob Esponja. E então nós duas estávamos com sede e fomos tomar suco natural, para depois ir embora. Mas não tinha muita graça ir embora pelo Santa Cruz, então resolvemos ir andando até o Vila Mariana.
Meio litro de suco natural de limão faz você querer parar no Mc Donald's para ir no banheiro. No banheiro do Mc Donald's, ela falou sobre a sex-shop que tinha duas quadras lá atrás, voltando, e ir pela primeira vez em uma sex-shop era irresistível demais, também. Voltamos para o Santa Cruz, entramos na sex-shop, ficamos um tempo lá, para descobrir que muita pouca coisa impressionava alguma das duas. Programa de meninas, também. Mas aí sim já estava tarde demais, e era preciso ir embora. Estação Santa Cruz. Falar mais um pouco, sobre artefatos de sex-shop, presentes e meninos. E aí sim, finalmente, ir embora.

São Paulo não é Paris. Vila Mariana não é Montmartre. Domingos de Morais não é Champs Elysées.  Não fomos em cafés charmosos e bonitos, o dia não era um adorável dia de Primavera, mas sim mais um dia em São Paulo, que se alterna entre o calor insuportável, o ar abafado e depois a chuva absurda. Mas amigas são amigas, não importa onde, ou quando. Eu quero conhecer Paris. Mas não preciso estar em Paris.

domingo, 21 de março de 2010

He's a fucking waste of space.

Personagens, alguns deles crescem lentamente dentro de você. E eles não precisam ser seus. Não importa o quão curta for a história, ou o quão grande, se eles realmente forem personagens que valem a pena ,  eles não vão se abrir inteiramente para você logo no início. Eles vão fazer você decifrar eles, entender eles, acompanhá-los, sentir com eles, sentir eles. Isso é um bom personagem.

E eu passei as últimas três horas escrevendo sobre um deles, acho que não tem muito mais o que falar do que o que já está aqui. Mas nisso de criar e desenvolver personagens, Skins soube o que estava fazendo, pelo menos com um. Jack O'Connell sabia o que estava fazendo. E não, não poderia haver melhor season finale. Porque os bons personagens merecem ter fins que sejam dignos deles.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O técnico, ou o Liceu.

Esse blog, no início, foi criado quase exclusivamente para reclamar do Liceu. Ok, não para isso, mas no começo era só o que tinha. Não vou falar que eu não tinha razão em reclamar, claro, mas hoje em dia acho que é muito certo alguém ir para o ensino técnico, justamente para sofrer como eu sofria. Vamos lá, elaborando.
A maioria das pessoas que entram em um ensino técnico é para poder trabalhar depois, até por isso que ele também chama profissionalizante. Algumas outras entram, bom, pelo menos onde eu estudava elas entravam porque era a única maneira de estudar de graça no Liceu. Hoje eu penso que, quando eu tiver filhos, eu vou querer que eles façam técnico mesmo que não tenham que trabalhar, e mesmo que façam o ensino médio em uma ótima escola. Por quê? Porque mesmo que você não trabalhe com o que você aprendeu, só o processo de aprender aquilo já vale por tudo.
Eu sofri muito no meu primeiro ano do técnico. Eu tinha passado os últimos dez anos estudando em escolas particulares, que eram boas, e tinha sido a melhor aluna. Era fácil, sabe, tinha apostilas, eu tinha as tardes livres para estudar (não que eu o fizesse). E então eu entrei no técnico e bom, não importa muito o curso que você faça, ele é diferente de tudo que já te ensinaram. É novo, e era difícil, muito difícil.
Não só a complexidade do assunto, não só a quantidade de matérias, não só a carga horária em período semi-integral, mas o método dos professores. Não tinham apostilas, tinham livros, livros técnicos, escritos em linguagem técnica, que eu ainda não sabia ler. Tinham pesquisas na internet, que também estavam em linguagem técnica. Eu tinha que pensar diferente, de uma maneira que eu não estava acostumada. E não é sobre ter uma visão de mundo estreita, é que minha mente não sabia pensar naqueles termos.
E então tinha os cálculos. Cálculo era algo que eu sabia, mas eletrônica precisava de um tipo de cálculo que não ensinam no fundamental, ensinam no final do colegial e muitas escolas nunca sonham em ensinar. E lá estava eu, no primeiro ano, aprendendo números complexos, matrizes e determinantes, para usar em outras matérias. E depois, no segundo ano, aprendendo números binários e lógica booleana, que a maioria das pessoas vai passar o colegial sem nem ter idéia de como funciona.
Não é uma questão do ensino nas escolas públicas ser ruim, é que mesmo o das escolas particulares, e das boas, a maioria nunca vai ensinar um aluno como uma escola técnica ensina. Meu professor do ensino superior disse que a FATEC não forma alunos, forja eles, e o Liceu fazia a mesma coisa. Ele pegava adolescentes acostumados a estudar seis horas por dia e serem medianamente cobrados naquilo que aprendiam, e colocava eles não só para aprender o currículo padrão como para aprender o currículo técnico. O orientador disse isso, na entrevista que cada aluno tinha antes de entrar lá (entrevista individual, porque era algo que o Liceu fazia na época), que naquela escola não ia adiantar só assistir as aulas e ir levando, e sim que ela ia exigir mais de você. Acho que foi por isso que o Liceu tinha a fama que tinha.
E depois de um tempo a gente realmente ia aprendendo a lidar com a situação. Acho que Eletrônica Geral foi a matéria que mais me ensinou, em todo meu tempo de estudo. Foi meu primeiro zero, minha primeira recuperação, minha primeira matéria que eu chorava porque não entendia, tentava e não entendia (e justo eu, que era a melhor da sala no fundamental!), e que tive que chorar e insistir até começar a entender. E quando a gente reclamava o professor se limitava a dizer "A vida é dura", e sorrir. E eu nunca cheguei a agradecer o ABE por ter feito isso por mim, mas acho que ele sabia, porque foi ele quem a sala escolheu depois para ser nosso paraninfo, mesmo depois de anos xingando ele e a matéria dele, porque afinal, uma hora a gente aprendeu.
Eu sei que todo mundo tem contato com bons professores, os legais, os que tem prazer de ensinar e tornam as aulas interessantes. A maioria dos meus não eram legais, eram exigentes, impunham respeito, faziam provas difíceis e continuavam sendo os melhores professores. Porque eles não aceitavam que a gente não tivesse capacidade para entender aquilo, e hoje eu vejo que isso é ter respeito e fé nos próprios alunos. Eles não aceitavam ensinar para pessoas que não investiam em si mesmas. Diziam coisas sobre honrar o nome da escola, quando queriam dizer para honrarmos estarmos estudando ali e depois termos nos formado ali. 
Enfim, hoje eu faço faculdade e basicamente estou passando por tudo de novo, só que dessa vez eu já sei o que tenho que fazer, e isso me poupa boa parte do sofrimento. Acho que me arrependo um pouco por não ter dado o valor que o técnico merecia quando eu ainda estava lá, o que teria evitado grande parte da minha revolta com ele, mas pelo menos hoje eu sei que foi o melhor, para mim. Melhor do que se eu tivesse continuado na mesma escola do fundamental, o que sim, faria que eu estivesse mais preparada para o vestibular, mas nunca faria com que eu aprendesse a dar o devido valor ao estudo. 
Quando eu e meus amigos nos encontramos a gente ainda reclama do Liceu, fala mal, critica várias coisas e tudo mais, mas acho que todos nós sabemos o que ele fez pela gente. Ele mudou todos nós, de uma maneira ou de outra. E apesar de tudo, de todo o stress, as crises de pânico e os níveis absurdos de ansiedade, aqueles foram três dos melhores anos da minha vida, e isso nunca vai mudar.

Algo novo todo dia.

Quando eu era menor, eu sempre me perguntava como eu iria aprender a fazer as coisas que os adultos faziam, como preencher cheques, pagar contas, impostos, trocar lâmpadas e por aí vai. Quer dizer, quando alguém iria me ensinar? Tinha algum curso para essas coisas? Eu fui crescendo e descobrindo, e para falar a verdade, no colégio tinha uma matéria amável chamada Recursos Humanos e Direitos Trabalhistas onde eu aprendi coisas como tipos de empresas, como funcionava a bolsa de valores, a nova lei do estágio, cálculo de férias e  até rateio de despesas (o que era verdadeiramente divertido de se fazer). Mas nada de Imposto de Renda (prioridades, o ensino técnico as têm).
Enfim, eu achava que sabia o bastante sobre o mundo de pessoas com responsabilidades. Mas aí que ontem o gás acabou e minha mãe falou "Amanhã eu deixo o dinheiro, você liga e pede para eles entregarem um novo". Ok. Eu sabia como isso funcionava. Você ligava, vinha o moço, trazia o botijão e deixava ele lá com os outros. Como eu não faço idéia de como se instala o gás, eu pensei "Eu peço para o moço trocar, né, tudo certo." Fui nos fundos da casa desobstruir o caminho e ver como estavam os botijões e notei um problema de logística: Fora o vazio, ainda tinham mais três lá, inutilizados.
Liguei para a moça da entrega e perguntei "Então, eu tenho uns botijões vazios, como eu me livro deles?" e ela "Ah, nós compramos, R$20,00 cada." Aí eu entrei em êxtase, porque né, o botijão novo é R$ 40,00, eu vendendo os outros três ainda saia com um lucro de R$20,00. Fui ligar para minha mãe para confirmar a barganha, muito feliz com minha descoberta da possível venda e esperando que ela me elogiasse pelo espírito empreendedor, quando eu descobri que não só ela já sabia disso como também achava que quando ela quisesse vender ela venderia para um lugar que pagasse mais, e que era para eu deixar os botijões vazios dela lá.
Beleza então.
O moço veio, trocou, levou o botijão antigo (algo que eu não sabia que eles faziam, visto que tinham vários vazios aqui em casa) e avisou "Menininha (é, 18 anos e me chamam de menininha, obrigada), avisa para seus pais que eles precisam trocar a mangueira do botijão, porque ela está velha e ressecada, e é perigoso, e além disso, o registro venceu em 2008". Sabe quando vêm instantaneamente a imagem mental de você ligando o fogão para esquentar água e fazer chá e um segundo depois sua casa inteira explodindo? Pois é.  Liguei para avisar sobre o perigo eminente para minha mãe e corri para lá para ver se estava vazando, porque pelo menos isso eu sabia fazer. Foi quando eu lembrei de uma aula de química do segundo ano, quando o professor, no meio do assunto, perguntou:
"Como vocês fazem para checar se tem vazamento no botijão de gás?"
A sala ia responder quando a voz do Daniel soou, alta e clara, sobre as outras:
"Acendendo um fósforo perto, ué".
Então, há quem esteja pior do que eu.
(Ele estava falando sério)

segunda-feira, 15 de março de 2010

As outras.

Eu paro para reler os posts antigos desse blog e em alguns momentos eu adoro a pessoa que escreveu, o que ela escreveu e o que estava acontecendo com ela, e em outros eu a acho detestável, chata, infantil, superficial.

Mas não tem nada de surpreendente nisso.

sábado, 13 de março de 2010

So hit me with music.

Hoje eu percebi que todos os momentos importantes da minha vida estiveram, de uma maneira ou de outra, relacionados a música. Os bons e os ruins. Os melhores e os piores.As boas fases, e as péssimas. Hoje eu percebi que isso faz da minha vida o que ela é, e também faz de mim quem eu sou. Não sei como eu seria sem a música, se eu teria suportado, se eu teria sido feliz.

Eu sei que eu não posso mais, de maneira alguma, ficar sem ela. Desde ouvir o iPod quase o dia inteiro até ir em concertos e em shows. De querer aprender sobre, e conhecer, e falar. Eu queria, muito, de verdade, poder fazer música, mas a única vez que eu tentei não deu muito certo - por motivos relacionados à minha falta de coordenação motora e incapacidade de mover os dedos com rapidez e agilidade suficientes. Mas eu consigo sobreviver a esse fato, certo? Enquanto eu ainda possa apreciar, está tudo bem.

E se eu cheguei a essa conclusão (nada brilhante, mas enfim) foi por que hoje, pela primeira vez, eu fui na Sala São Paulo, ver um concerto da OSESP. As pessoas perguntaram "Mas por que você vai?", e eu acho muito claro que o motivo pelo qual eu fui é porque eu queria ir, porque eu queria conhecer, porque por mais pseudo-intelectual e boring que isso pareça, eu gosto de música "clássica".

Não curto muito o Bob Marley, mas tem uma música em que ele diz "One good thing about music, when it hits you fell no pain. So hit me with music." E quando o concerto, quando a Fanfere, do Paul Dukas, começou, aquilo não me atingiu, mas me deu "a bit of the old ultra-violence", sabe. E nas duas horas seguintes eu entendi, tudo, porque eu nunca tinha visto algo tão bonito na minha vida. A música, ela cresce em você, te preenche, e algumas vezes ela te preenche tanto que não tem como você suportar aquilo, deixar dentro de você.
E então você acaba gritando, dançando, ou chorando no meio de um monte de gente que você não conhece.

(Não tenho, nem nunca tive, pretensões de soar sublime, de mostrar o quanto de artista existe em mim, e por isso eu reluto em escrever textos assim. Repare no contraste dos níveis de lirismo presentes nas minhas histórias e nas postagens desse blog. Não sei ao certo porque isso acontece, ou se algum dia vai mudar.)

Hoje eu aprendi algo muito importante,

Que não importa de onde você vem, mas sim para onde você vai.

(E aprendi de uma maneira tão, tão bonita!)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Minha mãe e eu.

Então que hoje a noite mamãe e eu tivemos uma enorme discussão. Uma discussão que fala muito sobre nossa dinâmica mãe-filha, que fala muito sobre nossas diferenças de visão do mundo. Uma discussão simbólica, que quase chega a definir nossas personalidades.
Essa noite minha mãe e eu discutimos sobre quem era mais bonito, o Alain Delon ou o Paul Newman.
(Mamãe estava do lado do Delon. E eu no do Newman.)
E a gente continuou no assunto, falando de homens bonitos (e eu apresentei o Til Schweiger para ela), até irmos no IMDB ver como estava o Sonny agora velho e entrarmos no assunto de atores bonitos e agora velhos, que foi quando eu comecei a falar:
"Só existe um homem que quanto mais velho fica, mais bonito fica, e é incrível por que isso é quase impossível, e esse homem é o..."
Lembrei de quando eu estava comentando na escola que sempre que eu e ela assistíamos Drácula juntas a gente ficava voltando na cena em que o Gary Oldman se levanta do caixão/caixote de madeira que ele estava no navio, e o Leonardo falou "Agora eu entendi de onde vem esse seu gene tarada".
Nós nunca tivemos essas relações de mães e filhas que são amigas, e compartilham tudo uma com a outra e mimimi, mas pelo menos o gosto para homens atores nós temos. Mesmo que o Paul Newman seja muito mais bonito que o Alain Delon.

 
 Não é que o Delon seja feio, claro. É que o Newman é mais bonito.

segunda-feira, 8 de março de 2010

O Oscar e o Dia Internacional da Mulher.

Ontem, pela primeira vez na vida, eu vi o Oscar até o final. Sempre acabava muito tarde e eu sempre tinha que acordar cedo, então eu ia dormir antes da premiação acabar, só que como agora eu estou no ócio eu não só vi inteiro como também fiquei assistindo Memórias de uma Gueixa depois.
Eu não sou, nem de longe, especialista em filmes. Adoro filmes, assisto tantos quanto posso, mas o conhecimento técnico, sabe, nada. Então eu estava torcendo pelo Tarantino para melhor diretor simplesmente porque eu amo, amo o que ele faz e acho Inglorious Basterds um dos melhores filmes que eu já vi na vida. (Christoph Waltz como melhor ator coadjuvante não tem como ser mais merecido, porque é o Landa, sabe, fiquei emocionadinha quando ele ganhou, hahaha.) 
Voltando, sei que tem quem menospreze o Tarantino porque ele nunca teve educação formal em cinema, e que não ache que ele, no quesito direção, seja realmente bom, e eu sinceramente não esperava que ele ganhasse, apesar de querer muito. E a Bigelow ganhou e eu pensei "Pelo menos não foi o Cameron", porque sinceramente se tem uma palavra que resume Avatar é OVERRATED. Enfim.
Mas aí que o que mais comentam sobre o assunto é que:
Ela foi a primeira mulher a ganhar o oscar de melhor direção, e foi justamente no Dia Internacional da Mulher!,
e
Ela ganhou do ex-marido! Aê, parabéns largada!
Eu não assisti The Hurt Locker, logo não posso falar. E acho o Dia Internacional da Mulher um absurdo, porque o verdadeiro motivo para ele existir nunca é lembrado, e sempre acaba se resumindo a ganhar uma flor (Alguém me explica, parabéns por quê? Porque ao invés do meu pai ter me dado um cromossomo y me deu um x? Nossa, valeu ein?). Mas se ela ganhou, foi porque ela é uma boa diretora, e sinto um preconceito velado em comentários que ficam evidenciando que ela é mulher e que ganhou de um homem, e do ex-marido. Eu, pelo menos, me sentiria ofendida (da mesma forma que me sinto quando, sei lá, falam que eu sou boa em elétrica como um elogio, mas com aquele ar de parabéns, você é boa em elétrica mesmo sendo uma mulher!)
Enfim, o que eu queria dizer é que, se for para falar algo sobre mulheres e sobre o Oscar, que falem sobre o o Tarantino, que ao contrário de The Hurt Locker (cujos personagens principais são todos homens), como é característico do Tarantino, tem mulheres fodas, que são fodas por serem fodas, e não por serem mulheres.
Au Revoir, Shosanna.