quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Categoria B

É algo estranho, ir atrás da habilitação. Soa como algo muito importante e que você quer muito fazer, mas quando você está sentada na fila do pré-cadastro e se pergunta "mas por que eu quero tanto isso?" você vê que não é algo tão absurdamente urgente assim. Quer dizer, eu preciso da carteira de motorista tanto quanto eu precisava ano passado, ou seja, para basicamente nada, mesmo que seja muito legal ter a possibilidade de pegar o carro da minha mãe ou poder dirigir em alguma emergência.
Mas não é isso. É como se a partir do momento em que você entra na auto-escola você realmente passasse a ter 18 anos, ser maior de idade. Você está tirando a carta porque pode, porque é isso que pessoas da sua idade fazem, porque é legal e é algo que você finalmente pode fazer. Não é como beber ou ver sites pornô, que você já fazia antes de qualquer jeito, é a primeira coisa nova de verdade. E mesmo que para todos os efeitos seja supérfluo, é absurdamente divertido.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Cenas de filme (na vida real)

Mais de uma vez eu já fiquei esperando que um certo momento da minha vida se tornasse uma cena de filme - uma das boas cenas, claro, não aquela em que eu tropeço e um serial killer vem e me mata. Sabe, quando você olha para alguém, a pessoa te olha e então vocês estão profundamente apaixonados, quando alguém volta correndo e diz o que você queria ouvir, ou quando todo mundo joga tudo para o alto, pega um carro e vai viajar para a praia, enquanto toca California como trilha sonora. É claro que isso quase nunca acontece, porque afinal a vida não é um filme e uma das suas maiores características é fazer com que nada ocorra da maneira como você, um dia, imaginou.
Mas algumas vezes, algumas, acontece de você parar e pensar que bom, isso poderia ser uma cena de um filme. Não sei se porque eu sou uma pessoa estranha que atrai pessoas estranhas e divertidas, isso acontece até com uma certa frequência. De estarmos no Mc Donald's conversando, começarmos uma competição ridícula de derreter o gelo na própria mão e um segundo depois alguém gritar "Guerra de gelo aaaaah!" e todo mundo começar a jogar gelo um no outro, com direito a correr e se esconder. Ou então de começarmos a cantar uma música em voz alta no meio da rua, ou de estarmos sentados observando o por-do-sol ou de alguém falar uma frase de efeito e acontecer algo que se esperava há muito tempo. Não é exatamente "Oh, você está ouvindo Smiths, eu gosto de Smiths" mas de falar mesmo com alguém com quem você nunca falou antes e sabe, vocês se darem bem.
O ponto é que geralmente sou eu quem toma a atitude para um desses momentos acontecerem - não intencionalmente, mas sim devido a surtos de "eu quero e eu faço" que acabam dando certo. Acho que não adianta muito ficar esperando que alguém vá lá e torne sua vida em um script, ou até mesmo ter atitudes premeditadas, mas saber aproveitar as oportunidades que vão surgindo, sem pensar muito ou ter medo do que vai acontecer. Se Ferris tivesse pensando nas possibilidades de expulsarem ele de cima do carro alegórico não teria subido lá e criado uma das cenas mais legais do cinema, certo? São casos em que vale a pena pagar para ver - e no meu caso, eu cantaria Jumpin' Jack Flash.

Come on and work it on out!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Vício: Define

Ainda pasma com a especulação da minha família acerca das drogas, continuei ponderando sobre o assunto, e lembrei que, na verdade, eu sou viciada. Em algo muito mais divertido e infantil:
Pump it Up, aka Máquina de Dança, aquela de pisar nas setinhas conforme elas passam pela tela.  Como todo bom vício, começou de uma forma bem singela. Na verdade, eu já conhecia o Pump desde o colegial, mas morria de vergonha de dançar, então só comecei mesmo ano passado, quando depois de uma terrível aula de Sistemas Mecânicos eu fui, pela primeira vez, para os Pumps da Vila Mariana.
Quando você ultrapassa a vergonha inicial de subir na máquina e passar umas várias músicas se adaptando à complexa arte de pisar nas setas conforme o ritmo e na hora certa, dançar no Pump vai se mostrando algo realmente divertido. Ainda mais quando você começa a gostar das músicas, e a querer sair do vergonhoso nível 2/3 e desafiar seus limites dançando uma música no nível 4, como Dignity e Winter. Juntou que a Leli já era iniciada e avançada (naquela época ainda não viciada) começamos a ir com mais e mais freqüência, e eu devo dizer que se você consegue dançar sua primeira música hard, é um caminho sem volta. 
Já se passaram seis meses, eu já danço nível 10 e começo a abandonar o hard e me tornar uma nível crazy. E desde então eu acabo indo para os pumps da Vila Mariana pelo menos uma vez por semana, gastando meu dinheiro e me aventurando na busca pelo tão almejado A. E minha primeira noite passada fora de casa foi justamente em um corujão do Pump. Então sim, eu tenho um vício, e é um vício tão... inocente, que eu não entendo como minha mãe pode pensar que eu estava usando maconha.
Porque né, eu danço La La La no Crazy, assisto Doctor Who e leio fanfic, até parece que eu preciso de uma coisa dessas.

É mais difícil do que parece.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

vai entender

Eu sou uma pessoa naturalmente irritada, e relativamente bastante grossa, dependendo do dia. Mas isso desde que eu nasci, então eu tinha por mim que as pessoas já tinham aceitado isso como verdade.

Aí que eu descubro hoje que minha família em peso estava achando que eu tinha virado uma usuária de drogas. De verdade, assumindo meus acessos de raiva como um sinal claro de que eu estava me drogando e começando a especular sobre o que eu poderia estar usando, sabe (eles estavam entre maconha e ecstasy). Inclusive, estavam procurando outras evidências, como observando se eu tinha acessos de fome e comia muito e pensando em fazer uma busca pelas minhas coisas. Fiquei chocada com isso, porque né, justo eu, que nem sei onde dá para comprar essas coisas, nem tenho dinheiro para comprar e, mesmo que pudesse, continuaria não comprando, mas enfim, só minha família para fazer eu rir assim em um domingo a noite. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O calor, a chuva.

O trânsito e a cidade. Eu não suporto mais São Paulo. Hoje, depois de uma chuva que parecia estar realmente anunciando o fim do mundo antes de 2012, os semáforos pararam de funcionar e São Paulo parou. Simplesmente parou. Passei duas horas em um trajeto que demora trinta minutos, e ainda tive que desistir e voltar para casa, porque senão eu só chegava na Santa Cruz quando o metrô já estivesse fechando - e eu nem quero imaginar como o metrô estava. E pensar que o que salvou meu dia foi o Memórias de uma Gueixa, eu me sinto até mal por ter desprezado o livro.  
Enfim, eu penso em duas alternativas para o meu drama (que não é muito diferente que o drama do resto da cidade, he):

Alternativa 1: Sair do fim de mundo que eu moro e me instalar nas imediações da faculdade, ou seja, no bairro da Luz/Bom Retiro. Acho que se eu destribuir umas garrafas de 51 eu  até posso descolar uma vaga nos bancos da pracinha que fica em frente a FATEC. Ou então passar a dormir no Parque da Luz, ou então encontrar alguma república/pensão por lá e vender um rim para poder pagar. Não sei qual das opções é a pior, sério.
Alternativa 2: Parar de sair de casa. Também meio problemática, porque eu faço faculdade e tenho um esboço de vida social, coisas das quais eu não estou disposta a me desfazer. Ou então continuar saindo de casa e investindo no combo Livro + iPod + DS, que é uma droga porque no dia que decidirem assaltar o ônibus, lá se vão meus amados gadgets.

Sério, às vezes eu sinto que Ulisses não era nada comparado a mim.