quarta-feira, 31 de março de 2010

Estranha, surtada, complexada e provavelmente continuando assim.

Eu estou apaixonada. Ou não. Enfim, não é a questão. Eu estou bastante é surtada. Surtada é uma ótima palavra para me definir. Toda uma vibe "Vou fazer isso para ver depois no que vai dar" e assim, fazer e depois ficar louca observando no que deu.Sei que não deu para entender nada com essa introdução, então vamos logo para a parte prática:
Exemplo #1.]
Hoje eu consegui passar meia hora pensando se eu deveria ou não tocar na mão do ele. (O nome do ele está sendo omitido porque ele é tosco, nada de OMG SIGILO NA INTERNETZ, é que eu não tenho muito orgulho de ficar falando que provavelmente estou apaixonada por ele).Mas assim, discussão INTENSA comigo mesma, eu tentava mover minha mão, não conseguia, parava no meio do caminho, pensava no que poderia acontecer se eu fizesse (ele ia perceber? reclamar? gostar? ignorar?), se eu me arrependeria se não fizesse (carpe diem? o RSL se matou por causa disso! e se desse merda, valeria o sofrimento com o auto-flagelo depois?), o porquê de eu querer fazer, quais as possíveis conseqüências do meu ato e se minha insegurança em fazê-lo poderia estar relacionada a algum complexo com minha auto-imagem. E o pior, enquanto eu discutia comigo mesma eu ficava pensando que tudo aquilo era muito romântico (no sentido de mal do século, não música do Phil Collins), fanfictício (sério, Bruna, discutir consigo mesma por tocar em alguém? quer algo mais clichê Harry/Draco do que isso?) e niilista. Puro Rodion Raskólnikov. Aí eu divergia para pensar que ele deveria ter ficado de um jeito parecido com aquele antes de matar a agiota (mals pelo spoiler de Crime e Castigo) e que se eu fosse mais inteligente eu podia aproveitar aquilo para tentar escrever algo que prestasse. 
Mas aí que no final eu fui e toquei na mão do ele, que como é ele foi um idiota e não fez PORRA NENHUMA e eu fiquei extremamente frustrada porque esperava algo mais legal. Fiquei deprimida com o resultado por uns dez minutos e depois voltei a prestar atenção no professor.
CORTA.
Exemplo #2.]
Ontem eu beijei ele. Hoje também. Ontem a idéia surgiu na minha mente do nada, exatamente "Nossa, eu podia beijar ele quando eu fosse me despedir, né?" e então meu coração disparou (amor? adrenalina? resposta do meu corpo ao quão idiota eu conseguia ser?) e eu fiquei com o pensamento em loop até eu me levantar e me despedir dele com uns selinhos. E logo depois minha diversão se tornou ficar pensando no que estava se passando na cabeça dele, e discutir o assunto com o pobre do Henrique, que foi usado como conselheiro amoroso e analista da psique masculina. E tal como um jogador de RPG, um estrategista de guerra ou alguém sem mais nada para fazer, passei a planejar como seria o próximo passo. 
Próximo passo foi o FAIL da mão hoje e dar um selinho nele na despedida também, dessa vez com o Henrique como observador (para poder compartilhar uma opinião mais consolidada depois!). E nossa, selinho é uma coisa tão tosca que você dá até no seu cachorro, mas ele conseguiu fazer disso algo horrível. Normalmente, eu entraria em crise, ficaria triste e shit porque ele quer meu amor e minha vingança. Mas né, estado mental alterado, eu fui assistir Cashemere Mafia no iPod. 
(Pausa para reflexão: Qual é o fucking problema das pessoas com as amizades com benefícios? Por que essa neura de transformar tudo em relacionamento e comprometimento e casualidade é coisa de gente promíscua? Amigos com benefícios é tipos a coisa mais genial já inventada, mas ninguém entende isso. Bando de filho da Disney esperando por amor da vida e alma-gêmea e essa porcaria toda, ao invés de entender a beleza do pegue e não se apegue.)
(Pausa para reflexão, parte 2: Não acredito que eu acabei de escrever a pausa para reflexão acima. Mais especificamente, não acredito que usei a expressão "pegue e não se apegue")
Exemplo #3.]
Eu sei que isso é tosco pra cacete, mas eu tenho certeza que vou continuar com as, hum, experiências. Até porque elas incluem também várias outras coisas além do ele, eu só não falei aqui porque as do ele são mais tocas e, portanto, mais legais de serem contadas. Reputação para que, né? De novo, INTERNET meu, só quem vai ler isso vai ser minha irmã, que vai começar a cogitar a possibilidade de eu estar usando drogas de novo (Rita, me liga! Tudo bem com o Mi?).  E no que é sério mesmo (LEIA-SE: DINHEIRO) eu estou mantendo drasticamente a linha, toda responsável e tals. Mas vamos lá, eu surto, reconheço o surto, identifico todo o nível de FAIL da situação toda e insisto nela.
BTW, eu tenho o que fazer. Deveria estar dormindo para acordar cedo e ir trabalhar, por exemplo. E estudar mais. Ler mais. Prova e coisas assim. Mas tem toda uma beleza em ser louca (NOT) e eu estou adorando, de alguma maneira torta, isso. Altas esperanças de nascer o espírito Rimbaud e sair por aí tentando experimentar tudo que existe no mundo. É. Senta lá, Bruna.
(Pausa para reflexão, parte 3, final: Não acredito que publiquei isso. Não dou duas semanas para eu surtar e deletar o post.)

domingo, 28 de março de 2010

Não preciso estar em Paris.

Dia cansativo. Acordei cedo, ônibus e metrô na manhã de sábado para ir para a faculdade. Aula cansativa, sala abafada, professora passando mal. Não basta ter a primeira aula de manhã, mas precisa também esperar duas horas para a próxima aula. Cantina, sinuca, e quando finalmente chegou 11h concluímos que o dia estava cansado demais e nós estávamos cansadas demais para ela, então fomos para o túnel, desligamos a luz e nos acomodamos no sofá, para dormirmos um pouco e estarmos não tão cansadas para a aula da tarde, que era mais importante. Ela, por ser como ela faz, lutou um pouco para achar uma posição confortável no único, acabado e mofado sofá da faculdade, e logo depois desmaiou. Eu, por ser como eu faço, liguei o iPod, selecionei Édith Piaf e comecei a batalha para pegar no sono naquela sala quente e abafada e no sofá desconfortável. Mais ouvi do que dormi, como era de se esperar. 
Piaf soa como Paris, para mim. Nunca estive em Paris, mas pelo o que eu vi e pelo o que ouvi falar, Piaf soa como Paris. Clima perfeito como no começo de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Cidade bonita, ruas bonitas, construções bonitas, tudo perfeito para alguém ser feliz. Eu não estava na sala escura e no sofá acabado, eu estava em Paris. Duas horas em Paris. Eu estava feliz, sonolenta, tinha boa música e imagens mentais/sonhos de dia ensolarado em uma cidade bonita. Quando tive que acordar (e acordar com bixos acendendo a luz e achando que o túnel do Centro Acadêmico era um lugar para estudar!), eu só consegui pensar que eu realmente queria estar em Paris
Aula da tarde. A aula é realmente interessante, se a pessoa é do tipo que consegue se interessar por mecânica dos fluidos. Mas a sala ainda era abafada, e nós ainda estávamos cansadas. Cansadas o bastante para não querermos fazer nada depois da aula, como era o nosso costume. Na verdade, eu queria fazer algo, mas sabe, cansaço. A aula acabou, e íamos para casa, mas nós somos nós e como nós fazemos, a gente concordou que seria mais divertido fazer algo na Vila Mariana e deixar para descansar a noite mesmo. Shopping Santa Cruz.
Comer em restaurante fast-food e conversar, falar e falar e falar. Sobre tatuagens, sobre relacionamentos, sobre músicas, sobre casamentos. Só parar de falar para prestar atenção no casamento na igreja em frente ao restaurante.Só sair dele para poder ver melhor a noiva entrando na igreja. E depois continuar a falar sobre como seria o nosso casamento, e ir e passar em uma loja para comprar coisas bobas, e voltar para o Shopping. Ir na loja de fast-fashion. Escolher umas roupas para experimentar, escolher umas lingeries para experimentar.  Gastar uma hora experimentando, sabe, programa de meninas. Cada uma comprou só uma peça. Depois sair, ir na livraria, e ficarmos só passeando até ela encontrar um livro sobre desenhos animados. Já era tarde, mas ver o livro, lembrar dos desenhos e falar sobre eles era irresistível demais. Até agora eu não acredito que falava sobre Marsupilami. Que eu tinha esquecido de Marsupilami. Que ela não gosta do Bob Esponja. E então nós duas estávamos com sede e fomos tomar suco natural, para depois ir embora. Mas não tinha muita graça ir embora pelo Santa Cruz, então resolvemos ir andando até o Vila Mariana.
Meio litro de suco natural de limão faz você querer parar no Mc Donald's para ir no banheiro. No banheiro do Mc Donald's, ela falou sobre a sex-shop que tinha duas quadras lá atrás, voltando, e ir pela primeira vez em uma sex-shop era irresistível demais, também. Voltamos para o Santa Cruz, entramos na sex-shop, ficamos um tempo lá, para descobrir que muita pouca coisa impressionava alguma das duas. Programa de meninas, também. Mas aí sim já estava tarde demais, e era preciso ir embora. Estação Santa Cruz. Falar mais um pouco, sobre artefatos de sex-shop, presentes e meninos. E aí sim, finalmente, ir embora.

São Paulo não é Paris. Vila Mariana não é Montmartre. Domingos de Morais não é Champs Elysées.  Não fomos em cafés charmosos e bonitos, o dia não era um adorável dia de Primavera, mas sim mais um dia em São Paulo, que se alterna entre o calor insuportável, o ar abafado e depois a chuva absurda. Mas amigas são amigas, não importa onde, ou quando. Eu quero conhecer Paris. Mas não preciso estar em Paris.

domingo, 21 de março de 2010

He's a fucking waste of space.

Personagens, alguns deles crescem lentamente dentro de você. E eles não precisam ser seus. Não importa o quão curta for a história, ou o quão grande, se eles realmente forem personagens que valem a pena ,  eles não vão se abrir inteiramente para você logo no início. Eles vão fazer você decifrar eles, entender eles, acompanhá-los, sentir com eles, sentir eles. Isso é um bom personagem.

E eu passei as últimas três horas escrevendo sobre um deles, acho que não tem muito mais o que falar do que o que já está aqui. Mas nisso de criar e desenvolver personagens, Skins soube o que estava fazendo, pelo menos com um. Jack O'Connell sabia o que estava fazendo. E não, não poderia haver melhor season finale. Porque os bons personagens merecem ter fins que sejam dignos deles.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O técnico, ou o Liceu.

Esse blog, no início, foi criado quase exclusivamente para reclamar do Liceu. Ok, não para isso, mas no começo era só o que tinha. Não vou falar que eu não tinha razão em reclamar, claro, mas hoje em dia acho que é muito certo alguém ir para o ensino técnico, justamente para sofrer como eu sofria. Vamos lá, elaborando.
A maioria das pessoas que entram em um ensino técnico é para poder trabalhar depois, até por isso que ele também chama profissionalizante. Algumas outras entram, bom, pelo menos onde eu estudava elas entravam porque era a única maneira de estudar de graça no Liceu. Hoje eu penso que, quando eu tiver filhos, eu vou querer que eles façam técnico mesmo que não tenham que trabalhar, e mesmo que façam o ensino médio em uma ótima escola. Por quê? Porque mesmo que você não trabalhe com o que você aprendeu, só o processo de aprender aquilo já vale por tudo.
Eu sofri muito no meu primeiro ano do técnico. Eu tinha passado os últimos dez anos estudando em escolas particulares, que eram boas, e tinha sido a melhor aluna. Era fácil, sabe, tinha apostilas, eu tinha as tardes livres para estudar (não que eu o fizesse). E então eu entrei no técnico e bom, não importa muito o curso que você faça, ele é diferente de tudo que já te ensinaram. É novo, e era difícil, muito difícil.
Não só a complexidade do assunto, não só a quantidade de matérias, não só a carga horária em período semi-integral, mas o método dos professores. Não tinham apostilas, tinham livros, livros técnicos, escritos em linguagem técnica, que eu ainda não sabia ler. Tinham pesquisas na internet, que também estavam em linguagem técnica. Eu tinha que pensar diferente, de uma maneira que eu não estava acostumada. E não é sobre ter uma visão de mundo estreita, é que minha mente não sabia pensar naqueles termos.
E então tinha os cálculos. Cálculo era algo que eu sabia, mas eletrônica precisava de um tipo de cálculo que não ensinam no fundamental, ensinam no final do colegial e muitas escolas nunca sonham em ensinar. E lá estava eu, no primeiro ano, aprendendo números complexos, matrizes e determinantes, para usar em outras matérias. E depois, no segundo ano, aprendendo números binários e lógica booleana, que a maioria das pessoas vai passar o colegial sem nem ter idéia de como funciona.
Não é uma questão do ensino nas escolas públicas ser ruim, é que mesmo o das escolas particulares, e das boas, a maioria nunca vai ensinar um aluno como uma escola técnica ensina. Meu professor do ensino superior disse que a FATEC não forma alunos, forja eles, e o Liceu fazia a mesma coisa. Ele pegava adolescentes acostumados a estudar seis horas por dia e serem medianamente cobrados naquilo que aprendiam, e colocava eles não só para aprender o currículo padrão como para aprender o currículo técnico. O orientador disse isso, na entrevista que cada aluno tinha antes de entrar lá (entrevista individual, porque era algo que o Liceu fazia na época), que naquela escola não ia adiantar só assistir as aulas e ir levando, e sim que ela ia exigir mais de você. Acho que foi por isso que o Liceu tinha a fama que tinha.
E depois de um tempo a gente realmente ia aprendendo a lidar com a situação. Acho que Eletrônica Geral foi a matéria que mais me ensinou, em todo meu tempo de estudo. Foi meu primeiro zero, minha primeira recuperação, minha primeira matéria que eu chorava porque não entendia, tentava e não entendia (e justo eu, que era a melhor da sala no fundamental!), e que tive que chorar e insistir até começar a entender. E quando a gente reclamava o professor se limitava a dizer "A vida é dura", e sorrir. E eu nunca cheguei a agradecer o ABE por ter feito isso por mim, mas acho que ele sabia, porque foi ele quem a sala escolheu depois para ser nosso paraninfo, mesmo depois de anos xingando ele e a matéria dele, porque afinal, uma hora a gente aprendeu.
Eu sei que todo mundo tem contato com bons professores, os legais, os que tem prazer de ensinar e tornam as aulas interessantes. A maioria dos meus não eram legais, eram exigentes, impunham respeito, faziam provas difíceis e continuavam sendo os melhores professores. Porque eles não aceitavam que a gente não tivesse capacidade para entender aquilo, e hoje eu vejo que isso é ter respeito e fé nos próprios alunos. Eles não aceitavam ensinar para pessoas que não investiam em si mesmas. Diziam coisas sobre honrar o nome da escola, quando queriam dizer para honrarmos estarmos estudando ali e depois termos nos formado ali. 
Enfim, hoje eu faço faculdade e basicamente estou passando por tudo de novo, só que dessa vez eu já sei o que tenho que fazer, e isso me poupa boa parte do sofrimento. Acho que me arrependo um pouco por não ter dado o valor que o técnico merecia quando eu ainda estava lá, o que teria evitado grande parte da minha revolta com ele, mas pelo menos hoje eu sei que foi o melhor, para mim. Melhor do que se eu tivesse continuado na mesma escola do fundamental, o que sim, faria que eu estivesse mais preparada para o vestibular, mas nunca faria com que eu aprendesse a dar o devido valor ao estudo. 
Quando eu e meus amigos nos encontramos a gente ainda reclama do Liceu, fala mal, critica várias coisas e tudo mais, mas acho que todos nós sabemos o que ele fez pela gente. Ele mudou todos nós, de uma maneira ou de outra. E apesar de tudo, de todo o stress, as crises de pânico e os níveis absurdos de ansiedade, aqueles foram três dos melhores anos da minha vida, e isso nunca vai mudar.

Algo novo todo dia.

Quando eu era menor, eu sempre me perguntava como eu iria aprender a fazer as coisas que os adultos faziam, como preencher cheques, pagar contas, impostos, trocar lâmpadas e por aí vai. Quer dizer, quando alguém iria me ensinar? Tinha algum curso para essas coisas? Eu fui crescendo e descobrindo, e para falar a verdade, no colégio tinha uma matéria amável chamada Recursos Humanos e Direitos Trabalhistas onde eu aprendi coisas como tipos de empresas, como funcionava a bolsa de valores, a nova lei do estágio, cálculo de férias e  até rateio de despesas (o que era verdadeiramente divertido de se fazer). Mas nada de Imposto de Renda (prioridades, o ensino técnico as têm).
Enfim, eu achava que sabia o bastante sobre o mundo de pessoas com responsabilidades. Mas aí que ontem o gás acabou e minha mãe falou "Amanhã eu deixo o dinheiro, você liga e pede para eles entregarem um novo". Ok. Eu sabia como isso funcionava. Você ligava, vinha o moço, trazia o botijão e deixava ele lá com os outros. Como eu não faço idéia de como se instala o gás, eu pensei "Eu peço para o moço trocar, né, tudo certo." Fui nos fundos da casa desobstruir o caminho e ver como estavam os botijões e notei um problema de logística: Fora o vazio, ainda tinham mais três lá, inutilizados.
Liguei para a moça da entrega e perguntei "Então, eu tenho uns botijões vazios, como eu me livro deles?" e ela "Ah, nós compramos, R$20,00 cada." Aí eu entrei em êxtase, porque né, o botijão novo é R$ 40,00, eu vendendo os outros três ainda saia com um lucro de R$20,00. Fui ligar para minha mãe para confirmar a barganha, muito feliz com minha descoberta da possível venda e esperando que ela me elogiasse pelo espírito empreendedor, quando eu descobri que não só ela já sabia disso como também achava que quando ela quisesse vender ela venderia para um lugar que pagasse mais, e que era para eu deixar os botijões vazios dela lá.
Beleza então.
O moço veio, trocou, levou o botijão antigo (algo que eu não sabia que eles faziam, visto que tinham vários vazios aqui em casa) e avisou "Menininha (é, 18 anos e me chamam de menininha, obrigada), avisa para seus pais que eles precisam trocar a mangueira do botijão, porque ela está velha e ressecada, e é perigoso, e além disso, o registro venceu em 2008". Sabe quando vêm instantaneamente a imagem mental de você ligando o fogão para esquentar água e fazer chá e um segundo depois sua casa inteira explodindo? Pois é.  Liguei para avisar sobre o perigo eminente para minha mãe e corri para lá para ver se estava vazando, porque pelo menos isso eu sabia fazer. Foi quando eu lembrei de uma aula de química do segundo ano, quando o professor, no meio do assunto, perguntou:
"Como vocês fazem para checar se tem vazamento no botijão de gás?"
A sala ia responder quando a voz do Daniel soou, alta e clara, sobre as outras:
"Acendendo um fósforo perto, ué".
Então, há quem esteja pior do que eu.
(Ele estava falando sério)

segunda-feira, 15 de março de 2010

As outras.

Eu paro para reler os posts antigos desse blog e em alguns momentos eu adoro a pessoa que escreveu, o que ela escreveu e o que estava acontecendo com ela, e em outros eu a acho detestável, chata, infantil, superficial.

Mas não tem nada de surpreendente nisso.

sábado, 13 de março de 2010

So hit me with music.

Hoje eu percebi que todos os momentos importantes da minha vida estiveram, de uma maneira ou de outra, relacionados a música. Os bons e os ruins. Os melhores e os piores.As boas fases, e as péssimas. Hoje eu percebi que isso faz da minha vida o que ela é, e também faz de mim quem eu sou. Não sei como eu seria sem a música, se eu teria suportado, se eu teria sido feliz.

Eu sei que eu não posso mais, de maneira alguma, ficar sem ela. Desde ouvir o iPod quase o dia inteiro até ir em concertos e em shows. De querer aprender sobre, e conhecer, e falar. Eu queria, muito, de verdade, poder fazer música, mas a única vez que eu tentei não deu muito certo - por motivos relacionados à minha falta de coordenação motora e incapacidade de mover os dedos com rapidez e agilidade suficientes. Mas eu consigo sobreviver a esse fato, certo? Enquanto eu ainda possa apreciar, está tudo bem.

E se eu cheguei a essa conclusão (nada brilhante, mas enfim) foi por que hoje, pela primeira vez, eu fui na Sala São Paulo, ver um concerto da OSESP. As pessoas perguntaram "Mas por que você vai?", e eu acho muito claro que o motivo pelo qual eu fui é porque eu queria ir, porque eu queria conhecer, porque por mais pseudo-intelectual e boring que isso pareça, eu gosto de música "clássica".

Não curto muito o Bob Marley, mas tem uma música em que ele diz "One good thing about music, when it hits you fell no pain. So hit me with music." E quando o concerto, quando a Fanfere, do Paul Dukas, começou, aquilo não me atingiu, mas me deu "a bit of the old ultra-violence", sabe. E nas duas horas seguintes eu entendi, tudo, porque eu nunca tinha visto algo tão bonito na minha vida. A música, ela cresce em você, te preenche, e algumas vezes ela te preenche tanto que não tem como você suportar aquilo, deixar dentro de você.
E então você acaba gritando, dançando, ou chorando no meio de um monte de gente que você não conhece.

(Não tenho, nem nunca tive, pretensões de soar sublime, de mostrar o quanto de artista existe em mim, e por isso eu reluto em escrever textos assim. Repare no contraste dos níveis de lirismo presentes nas minhas histórias e nas postagens desse blog. Não sei ao certo porque isso acontece, ou se algum dia vai mudar.)

Hoje eu aprendi algo muito importante,

Que não importa de onde você vem, mas sim para onde você vai.

(E aprendi de uma maneira tão, tão bonita!)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Minha mãe e eu.

Então que hoje a noite mamãe e eu tivemos uma enorme discussão. Uma discussão que fala muito sobre nossa dinâmica mãe-filha, que fala muito sobre nossas diferenças de visão do mundo. Uma discussão simbólica, que quase chega a definir nossas personalidades.
Essa noite minha mãe e eu discutimos sobre quem era mais bonito, o Alain Delon ou o Paul Newman.
(Mamãe estava do lado do Delon. E eu no do Newman.)
E a gente continuou no assunto, falando de homens bonitos (e eu apresentei o Til Schweiger para ela), até irmos no IMDB ver como estava o Sonny agora velho e entrarmos no assunto de atores bonitos e agora velhos, que foi quando eu comecei a falar:
"Só existe um homem que quanto mais velho fica, mais bonito fica, e é incrível por que isso é quase impossível, e esse homem é o..."
Lembrei de quando eu estava comentando na escola que sempre que eu e ela assistíamos Drácula juntas a gente ficava voltando na cena em que o Gary Oldman se levanta do caixão/caixote de madeira que ele estava no navio, e o Leonardo falou "Agora eu entendi de onde vem esse seu gene tarada".
Nós nunca tivemos essas relações de mães e filhas que são amigas, e compartilham tudo uma com a outra e mimimi, mas pelo menos o gosto para homens atores nós temos. Mesmo que o Paul Newman seja muito mais bonito que o Alain Delon.

 
 Não é que o Delon seja feio, claro. É que o Newman é mais bonito.

segunda-feira, 8 de março de 2010

O Oscar e o Dia Internacional da Mulher.

Ontem, pela primeira vez na vida, eu vi o Oscar até o final. Sempre acabava muito tarde e eu sempre tinha que acordar cedo, então eu ia dormir antes da premiação acabar, só que como agora eu estou no ócio eu não só vi inteiro como também fiquei assistindo Memórias de uma Gueixa depois.
Eu não sou, nem de longe, especialista em filmes. Adoro filmes, assisto tantos quanto posso, mas o conhecimento técnico, sabe, nada. Então eu estava torcendo pelo Tarantino para melhor diretor simplesmente porque eu amo, amo o que ele faz e acho Inglorious Basterds um dos melhores filmes que eu já vi na vida. (Christoph Waltz como melhor ator coadjuvante não tem como ser mais merecido, porque é o Landa, sabe, fiquei emocionadinha quando ele ganhou, hahaha.) 
Voltando, sei que tem quem menospreze o Tarantino porque ele nunca teve educação formal em cinema, e que não ache que ele, no quesito direção, seja realmente bom, e eu sinceramente não esperava que ele ganhasse, apesar de querer muito. E a Bigelow ganhou e eu pensei "Pelo menos não foi o Cameron", porque sinceramente se tem uma palavra que resume Avatar é OVERRATED. Enfim.
Mas aí que o que mais comentam sobre o assunto é que:
Ela foi a primeira mulher a ganhar o oscar de melhor direção, e foi justamente no Dia Internacional da Mulher!,
e
Ela ganhou do ex-marido! Aê, parabéns largada!
Eu não assisti The Hurt Locker, logo não posso falar. E acho o Dia Internacional da Mulher um absurdo, porque o verdadeiro motivo para ele existir nunca é lembrado, e sempre acaba se resumindo a ganhar uma flor (Alguém me explica, parabéns por quê? Porque ao invés do meu pai ter me dado um cromossomo y me deu um x? Nossa, valeu ein?). Mas se ela ganhou, foi porque ela é uma boa diretora, e sinto um preconceito velado em comentários que ficam evidenciando que ela é mulher e que ganhou de um homem, e do ex-marido. Eu, pelo menos, me sentiria ofendida (da mesma forma que me sinto quando, sei lá, falam que eu sou boa em elétrica como um elogio, mas com aquele ar de parabéns, você é boa em elétrica mesmo sendo uma mulher!)
Enfim, o que eu queria dizer é que, se for para falar algo sobre mulheres e sobre o Oscar, que falem sobre o o Tarantino, que ao contrário de The Hurt Locker (cujos personagens principais são todos homens), como é característico do Tarantino, tem mulheres fodas, que são fodas por serem fodas, e não por serem mulheres.
Au Revoir, Shosanna.

sábado, 6 de março de 2010

Uma epopéia, ou sábado mais estranho de todos.

Eu acordei hoje para mais um sábado, normal, como todos os outros. O que quer dizer acordar cedo, ir para a faculdade, passar quase o dia inteiro lá, ir para o pump depois e voltar para casa. Só isso. Nada de extraordinário nos sábados.
Levantei, me troquei, e exatamente antes de eu sair eu pensei "talvez eu devesse tirar minha roupa do varal" (eu lavei minha própria roupa! morro de orgulho de mim mesma!) mas depois falei para mim mesma "imagina, não vai chover". Foi só eu estar distante o bastante de casa... E lá veio a chuva, e lá se foi minha roupa. Ok. Na verdade, eu deveria ter previsto que o dia ia ser estranho, porque eu peguei trânsito na Marginal onde nunca, tipo, nunca tem trânsito, e depois andei normalmente onde sempre está parado. 
Mas tudo bem, cheguei na faculdade, normalmente atrasada, e estranhei porque tinha pessoas na porta do prédio e às 8h da manhã nunca tem ninguém lá. Andei mais um pouco e percebi que o prédio estava meio escuro, sabe, mas precisei chegar na sala para descobrir que tinha acabado a luz na faculdade inteira. Ou seja, nada da minha aula da manhã. Um ano naquele lugar e eu nunca tinha presenciado algo do tipo, mas né, estava chovendo, acontece. Saí da sala, enrolei e fui para o laboratório de internet, onde eu fiquei imersa no fandom até me expulsarem, ou seja, 12h. Eu fiquei das 8h30 até as 13h enrolando na faculdade para assistir minha última aula do dia, porque justo hoje eu também não teria a aula das 11h até as 13h. Ainda sim, beleza.
Na verdade, eu tenho passado por um período bastante sensível nessa semana inteira, envolvendo discussões e ressentimentos e mais um monte de coisas que resolveu atingir o ápice... Hoje. E lá fui eu sair da aula para chorar no banheiro da faculdade por uns bons vinte minutos - o que já faria do dia ímpar por si só, visto que eu raramente choro, e principalmente nunca em banheiros de faculdade. Mas vamos lá, acabou que foi algo realmente bom, porque depois disso as coisas se esclareceram e eu voltei ao normal. Só o dia que não.
O resto da tarde até foi tranqüilo, para ser sincera. Fomos para o Shopping, para o Pump, nos divertimos, e depois eu fui voltar para casa. Cheguei no metrô e enfrentei um sério dilema entre assistir The Wolves of Kromer, que eu tinha colocado no iPod, ou jogar Phoenix Wright no DS. Como eu estou com uma paciência ímpar para o Phoenix, o que eu não tinha há uns bons três meses, quando abandonei o jogo, resolvi jogar e simplesmente ouvir música. Desci na estação, peguei o ônibus, e quando estava na avenida de casa comecei a ansiar para que o ônibus demorasse mais um pouco, só para eu conseguir acabar logo com o caso e colocar a Dahlia Hawthorne na prisão. E meu pedido foi atendido, porque um pouco depois o ônibus estava parando na Delegacia "Cinquentinha", que fica aqui perto de casa. 
Eu vi geral descendo do ônibus e pensei "ué, o que aconteceu?" e minha cara de WTF deve ter sido tão evidente que a mocinha do lado falou "Assaltaram o ônibus, todo mundo vai ter que descer."
Assaltaram o ônibus.
Pausa para reflexão - Parte I
Eu estava lá, sentada, ouvindo música num iPod da última geração, jogando com o DS na mão e assaltam o ônibus. E eu nem sequer tomo conhecimento do ocorrido.
Pausa para reflexão - Parte II
Sério, que tipo de indivíduo assalta um ônibus onde 90% dos passageiros usa bilhete único, mas não assalta os passageiros? Gente, reflitamos, era óbvio que tinha mais dinheiro com as pessoas do que o cobrador, certo?
Fim das pausas para reflexão.
Aí eu desci do ônibus pensando se eu teria que dar depoimento, e né, O QUE EU IA FALAR?
"Então, eu estava ouvindo música e jogando videogame, senhor policial, então eu nem vi o que aconteceu"?!
Imagina minha cara. Mas na verdade geral só ficou lá parada esperando um outro ônibus passar, e como eu moro a dois pontos da delegacia eu vim andando, obviamente escrevendo mentalmente esse post, porque eu precisava compartilhar essa maravilha de dia.

(Que na verdade ainda tem três minutos até terminar, mas gente, se acontecer algo nesse meio tempo eu simplesmente desisto, beijos)

segunda-feira, 1 de março de 2010

You won't be there for me

A primeira coisa que eu pensei quando ouvi I don't care, do Apocalyptica, foi que os violoncelos eram incríveis e que a música era absolutamente legal. A segunda foi que aquela música não era só composta por violoncelos e bateria, porque tinha claramente um piano ali no meio. E a terceira foi que era óbvio que aquilo de "Eu não ligo" era uma completa mentira, porque afinal quem não se importa não escreve e não canta sobre o assunto. 
Mas como nada é tão simples assim, eu percebi que claro, ele realmente se importava, mas ele não estava mentindo para si mesmo, e sim estava tentando se convencer daquilo. É importante, quando você quer se convencer de algo, que você repita esse algo para si mesmo, mesmo que você saiba que não é verdade, porque você quer que algum dia seja.
É o que eu estou fazendo agora.



And all the things you left behind,
I don't care.