quarta-feira, 17 de março de 2010

Algo novo todo dia.

Quando eu era menor, eu sempre me perguntava como eu iria aprender a fazer as coisas que os adultos faziam, como preencher cheques, pagar contas, impostos, trocar lâmpadas e por aí vai. Quer dizer, quando alguém iria me ensinar? Tinha algum curso para essas coisas? Eu fui crescendo e descobrindo, e para falar a verdade, no colégio tinha uma matéria amável chamada Recursos Humanos e Direitos Trabalhistas onde eu aprendi coisas como tipos de empresas, como funcionava a bolsa de valores, a nova lei do estágio, cálculo de férias e  até rateio de despesas (o que era verdadeiramente divertido de se fazer). Mas nada de Imposto de Renda (prioridades, o ensino técnico as têm).
Enfim, eu achava que sabia o bastante sobre o mundo de pessoas com responsabilidades. Mas aí que ontem o gás acabou e minha mãe falou "Amanhã eu deixo o dinheiro, você liga e pede para eles entregarem um novo". Ok. Eu sabia como isso funcionava. Você ligava, vinha o moço, trazia o botijão e deixava ele lá com os outros. Como eu não faço idéia de como se instala o gás, eu pensei "Eu peço para o moço trocar, né, tudo certo." Fui nos fundos da casa desobstruir o caminho e ver como estavam os botijões e notei um problema de logística: Fora o vazio, ainda tinham mais três lá, inutilizados.
Liguei para a moça da entrega e perguntei "Então, eu tenho uns botijões vazios, como eu me livro deles?" e ela "Ah, nós compramos, R$20,00 cada." Aí eu entrei em êxtase, porque né, o botijão novo é R$ 40,00, eu vendendo os outros três ainda saia com um lucro de R$20,00. Fui ligar para minha mãe para confirmar a barganha, muito feliz com minha descoberta da possível venda e esperando que ela me elogiasse pelo espírito empreendedor, quando eu descobri que não só ela já sabia disso como também achava que quando ela quisesse vender ela venderia para um lugar que pagasse mais, e que era para eu deixar os botijões vazios dela lá.
Beleza então.
O moço veio, trocou, levou o botijão antigo (algo que eu não sabia que eles faziam, visto que tinham vários vazios aqui em casa) e avisou "Menininha (é, 18 anos e me chamam de menininha, obrigada), avisa para seus pais que eles precisam trocar a mangueira do botijão, porque ela está velha e ressecada, e é perigoso, e além disso, o registro venceu em 2008". Sabe quando vêm instantaneamente a imagem mental de você ligando o fogão para esquentar água e fazer chá e um segundo depois sua casa inteira explodindo? Pois é.  Liguei para avisar sobre o perigo eminente para minha mãe e corri para lá para ver se estava vazando, porque pelo menos isso eu sabia fazer. Foi quando eu lembrei de uma aula de química do segundo ano, quando o professor, no meio do assunto, perguntou:
"Como vocês fazem para checar se tem vazamento no botijão de gás?"
A sala ia responder quando a voz do Daniel soou, alta e clara, sobre as outras:
"Acendendo um fósforo perto, ué".
Então, há quem esteja pior do que eu.
(Ele estava falando sério)

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