domingo, 28 de março de 2010

Não preciso estar em Paris.

Dia cansativo. Acordei cedo, ônibus e metrô na manhã de sábado para ir para a faculdade. Aula cansativa, sala abafada, professora passando mal. Não basta ter a primeira aula de manhã, mas precisa também esperar duas horas para a próxima aula. Cantina, sinuca, e quando finalmente chegou 11h concluímos que o dia estava cansado demais e nós estávamos cansadas demais para ela, então fomos para o túnel, desligamos a luz e nos acomodamos no sofá, para dormirmos um pouco e estarmos não tão cansadas para a aula da tarde, que era mais importante. Ela, por ser como ela faz, lutou um pouco para achar uma posição confortável no único, acabado e mofado sofá da faculdade, e logo depois desmaiou. Eu, por ser como eu faço, liguei o iPod, selecionei Édith Piaf e comecei a batalha para pegar no sono naquela sala quente e abafada e no sofá desconfortável. Mais ouvi do que dormi, como era de se esperar. 
Piaf soa como Paris, para mim. Nunca estive em Paris, mas pelo o que eu vi e pelo o que ouvi falar, Piaf soa como Paris. Clima perfeito como no começo de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Cidade bonita, ruas bonitas, construções bonitas, tudo perfeito para alguém ser feliz. Eu não estava na sala escura e no sofá acabado, eu estava em Paris. Duas horas em Paris. Eu estava feliz, sonolenta, tinha boa música e imagens mentais/sonhos de dia ensolarado em uma cidade bonita. Quando tive que acordar (e acordar com bixos acendendo a luz e achando que o túnel do Centro Acadêmico era um lugar para estudar!), eu só consegui pensar que eu realmente queria estar em Paris
Aula da tarde. A aula é realmente interessante, se a pessoa é do tipo que consegue se interessar por mecânica dos fluidos. Mas a sala ainda era abafada, e nós ainda estávamos cansadas. Cansadas o bastante para não querermos fazer nada depois da aula, como era o nosso costume. Na verdade, eu queria fazer algo, mas sabe, cansaço. A aula acabou, e íamos para casa, mas nós somos nós e como nós fazemos, a gente concordou que seria mais divertido fazer algo na Vila Mariana e deixar para descansar a noite mesmo. Shopping Santa Cruz.
Comer em restaurante fast-food e conversar, falar e falar e falar. Sobre tatuagens, sobre relacionamentos, sobre músicas, sobre casamentos. Só parar de falar para prestar atenção no casamento na igreja em frente ao restaurante.Só sair dele para poder ver melhor a noiva entrando na igreja. E depois continuar a falar sobre como seria o nosso casamento, e ir e passar em uma loja para comprar coisas bobas, e voltar para o Shopping. Ir na loja de fast-fashion. Escolher umas roupas para experimentar, escolher umas lingeries para experimentar.  Gastar uma hora experimentando, sabe, programa de meninas. Cada uma comprou só uma peça. Depois sair, ir na livraria, e ficarmos só passeando até ela encontrar um livro sobre desenhos animados. Já era tarde, mas ver o livro, lembrar dos desenhos e falar sobre eles era irresistível demais. Até agora eu não acredito que falava sobre Marsupilami. Que eu tinha esquecido de Marsupilami. Que ela não gosta do Bob Esponja. E então nós duas estávamos com sede e fomos tomar suco natural, para depois ir embora. Mas não tinha muita graça ir embora pelo Santa Cruz, então resolvemos ir andando até o Vila Mariana.
Meio litro de suco natural de limão faz você querer parar no Mc Donald's para ir no banheiro. No banheiro do Mc Donald's, ela falou sobre a sex-shop que tinha duas quadras lá atrás, voltando, e ir pela primeira vez em uma sex-shop era irresistível demais, também. Voltamos para o Santa Cruz, entramos na sex-shop, ficamos um tempo lá, para descobrir que muita pouca coisa impressionava alguma das duas. Programa de meninas, também. Mas aí sim já estava tarde demais, e era preciso ir embora. Estação Santa Cruz. Falar mais um pouco, sobre artefatos de sex-shop, presentes e meninos. E aí sim, finalmente, ir embora.

São Paulo não é Paris. Vila Mariana não é Montmartre. Domingos de Morais não é Champs Elysées.  Não fomos em cafés charmosos e bonitos, o dia não era um adorável dia de Primavera, mas sim mais um dia em São Paulo, que se alterna entre o calor insuportável, o ar abafado e depois a chuva absurda. Mas amigas são amigas, não importa onde, ou quando. Eu quero conhecer Paris. Mas não preciso estar em Paris.

Um comentário:

Leli disse...

Realmente, não é necessário estar em Paris, mas seria maravilhoso conhecer... e como vc disse, amigas são amigas. Podemos transformar qualquer dia cansativo num dia agradável, basta querer. (Só pra constar: foi muito divertido. ;D)