segunda-feira, 31 de maio de 2010

I'll march my band out

Então, não estou fazendo grandes movimentos, nem nada. A vida segue normal, calma e rotineira, mas eu nem estou reclamando, nem estou desesperada para que algo incrível aconteça, para que meus dias sejam maravilhosos e emocionantes, está bom assim. O DS voltou, eu quase surtei porque consegui me superar e esqueci minha carteira (leia-se todo meu dinheiro, meu cartão e meus documentos) em casa e até meu sono parece ter assumido outro ritmo, está mais tranqüilo e bem mais criativo.A faculdade continua a mesma, as pessoas com quem eu convivo são as mesmas, e o bom é que eu parei de me estressar esperando que elas mudem, porque né, nunca vai mudar.
Tenho novos planos, e estou feliz com eles. Tenho novos objetivos e novas expectativas, e estou feliz com eles. Tenho um remédio fitoterápico para me fazer menos ansiosa, e pelo menos o placebo dele me deixa feliz, também. A vida não é boa, a vida é a vida e está bem assim. O que eu não gostar eu vou lá e mudo, o que eu não conseguir mudar eu vejo depois.

Don't bring around a cloud
To rain on my parade
Nem ao menos tente.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Nessa mesma época, ano passado,

eu estava vivendo o que eu constataria depois os que foram os melhores meses do ano. Maio, Junho e Julho foram meses tranqüilos e felizes, cheios de histórias, de fangirl joy, de passar o tempo com amigas amáveis, de não ter que se preocupar muito com nada, de jogar DS e pensar "a vida é realmente boa". Mais do que todos, Julho foi o melhor mês. Eu acordava tarde, trabalhava pouco, saia cedo, quando ainda tinha sol, em uma vizinhança legal, não tinha faculdade para ir nem obrigação nenhuma, só a de escrever enquanto eu tomava café e terminar Elite Beat Agents.
Nesses meses, ano passado, eu achei que tudo tinha mudado para valer, e para melhor. Que eu era uma pessoa nova, mais feliz, que eu estava e continuaria naquele nível de descontração e humor. Eu tinha encontrado a fórmula. Mas quando Agosto chegou, e eu fui trabalhar no pior lugar possível, e eu parei de ter tempo para aqueles pequenos prazeres que eu amava, e consegui me enfiar no sentimento e na obsessão mais doentia que eu já estive até agora. Agosto chegou e até Dezembro meu ano foi totalmente por água abaixo, destruído por seis meses de stress emocional, decepção com os outros e comigo mesma, pela minha capacidade de fazer coisas estúpidas e insistir em comportamentos estúpidos.
Tanto que eu só fui lembrar agora que antes daquele inferno meu ano tinha sido agradável. Com a chegada do mesmo período. E mesmo que eu não tenha tanto tempo livre, nem uma paixão saudável por um fandom, nem a constante oportunidade de tomar café e escrever, a mesma sensação está de volta. Que dá sim para eu ter uma vida calma, ser uma pessoa tranqüila e feliz. E que, dessa vez, eu sei melhor. Melhor do que deixar qualquer outra coisa estragar mais um ano. Melhor do que permitir que algo ou alguém atrapalhe a minha vida. 
To boldly go.
Então aqui vamos nós, de novo. 
(Pensando bem agora, uma das maiores características desses meses do ano passado foi que eu tinha me livrado da necessidade patológica de não estar sempre sozinha. Eu passava o dia sozinha e estava feliz assim, só mantendo contato com as pessoas que me faziam bem e feliz. Melhor deixar isso aqui anotado, para eu lembrar de não esquecer que eu consigo e que é bom ser assim)

sábado, 22 de maio de 2010

O Retrato

Dia desses, há menos de um mês, eu finalmente resolvi assistir Dorian Gray, o filme, aquele com o Ben Barnes e o Mark Darcy Colin Firth. Claro, com todos os preconceitos e receios possíveis. Primeiro porque Ben Barnes passa longe da descrição física do Dorian, segundo porque nunca vi no livro história o bastante para fazer um filme.
Entenda-se, a trama é muito pouco em O Retrato de Dorian Gray, ou pelo menos em sempre vi assim. Como quase todas as outras obras do Oscar Wilde, o que importa mesmo, a verdadeira essência, é a divagação filosófica dele, também conhecida por muitos como baboseira pseudo-intelectual. Tudo que o Wilde escreve é assim - afinal, estamos falando do cara que, quando estava na prisão e foi escrever uma carta para o ex-amante dele (que era também a razão por ele estar lá), acabou gastando mais da metade das folhas refletindo sobre a vida e a natureza humana. Tem quem não goste, eu adoro. Enfim, esse não é o ponto.
Voltando, o livro não tem lá muita trama. A maior parte é o Lord Henry divagando, a outra parte, bem menor, foca no Dorian. Em questão de ação não tem muito o que falar - Dorian está no ateliê, surta depois de (oh really?) um discurso do Henry, rola o pacto com o Retrato (q), ele se apaixona pela Sybil, surta depois de um discurso do Henry, ela morre, ele vira um porra louca hedonista e amoral, sempre influenciado pelos... discursos do Henry (que quem não leu já deve ter sacado que é o verdadeiro personagem principal dessa história). Eu não estava entendendo como poderia render um filme. 
Na verdade, não rende. Tanto que inventaram umas viagens muito loucas depois da metade. Mas algo interessante é que, justamente pelo livro não se aprofundar muito no assunto, o filme vai bem na tarefa de ilustrar a trajetória do Dorian, que fica meio perdida na história. Ele é bom para mostrar a vida que o Dorian estava vivendo, criar os cenários de devassidão, o que acabou me dando uma outra visão sobre a obra, principalmente no que se refere à corrupção do personagem. 
Fiquei feliz por, mesmo com um final absurdo, o filme ter feito isso. Ainda que o Ben Barnes não corresponda em beleza nem o Colin Firth em sofisticação. Adaptações de obras são boas para isso, para te dar novas visões e coisas assim. Claro, eu gastei tudo isso para refletir sobre a importância de vencer preconceitos e de se abrir a novas perspectivas, e afinal, se tem algo em que o filme falha miseravelmente é passar para a pessoa todo esse espírito Oscar Wilde, tão belamente expresso por mim aqui.

 
Então, eu imaginava o Dorian assim. Mas também, quem não pensa no Björn Andrésen quando se fala de  beleza clássica?

domingo, 16 de maio de 2010

Obrigada,

Universo, por ter feito isso por mim. Por ter me trazido ele, e com ele, a chance de curar uma ferida há tempos aberta. Obrigada por ter injustificado meu medo de me aproximar dele, de me deixar gostar dele, de suportar ver algo que eu já tinha visto acontecendo acontecer de novo, e de no final, mesmo que o final esteja muito, muito longe, saber que foi totalmente diferente.
Não, eu não enxergo ele como apenas uma compensação cósmica. Não, nunca. Ele é tão mais do que isso, e eu já o amo tanto, tão mais. Apesar de todas as semelhanças assustadoras, eles dois são tão diferentes, e é essa diferença que faz com que nossos relacionamentos sejam diferentes também, mesmo que parecidos.  Somos mais íntimos, mais próximos, mais unidos, em muito menos tempo. Eu não consigo ser alguém diferente de mim mesma, com ele. É difícil fingir, disfarçar. E mesmo que isso fosse razão suficiente para fazer eu morrer de medo e me afastar, eu não consigo, nem quero. 
Sou boba, quando o assunto é ele. Ele e seus abraços que melhoram dias, ele e chatisse dele, a insistência em implicar comigo, as besteiras que ele fala, os comentários inteligentes, ele que se lesse isso riria de mim, e não falaria nada. Se eu fosse mais esperta, criaria algum mecanismo de defesa, me protegeria um pouco. Mas não consigo, não quero. Até porque, nos momentos em que eu quero, ele me abraça e eu logo esqueço. Ele é meu irmão mais velho, meu amigo, e eu posso amá-lo sem me impor limites.


Ah, Universo, Destino, qualquer coisa, obrigada. E por favor, faça com que isso não acabe.

sábado, 1 de maio de 2010

O que você nunca vai ler, parte ? de ?

Eu queria saber por que, naquele dia, você sentou do meu lado. Ou então, eu queria lembrar, do que estava acontecendo antes, para ver se eu conseguiria entender melhor, mas eu não lembro nem do antes nem do depois. Eu lembro que era um dia de sol, que o céu estava azul e limpo, e que aqueles jardins não estavam tão odiosos como eles costumavam ser. Lembro que, em algum momento, nós dois estávamos em silêncio, e eu olhei para o céu, depois para a grama e senti o sol batendo na minha pele, enquanto ouvia o nosso silêncio compartilhado e sabia que você estava lá, do meu lado.
Eu lembro que, ali mesmo, eu já sabia que continuaria lembrando daquele instante. Que aquela cena continuaria comigo, e que quando eu parasse e pensasse nos melhores momentos da minha vida, aquele viria na minha mente. Nunca tinha sido tão bonito, tão certo. Eu nunca tinha sentido algo tão forte, tão desesperadamente forte, por alguém. E nisso eu não fazia idéia do que você estava pensando, de porque você estava ali.
Ainda, quando tem sol, céu azul e silêncio, eu lembro de você. Ainda, quando eu me pergunto se eu já amei alguém, eu penso em você. Ainda desperdiço algumas lágrimas com você, a cada dois ou três meses. Mas, para minha sorte, são poucos os dias de clima bom e silêncio em São Paulo, e eu ainda gosto mais de pensar no que está por vir do que no que já passou. Porque por mais que tenha sido bonito, dói mais do que eu acho que deveria doer. Porque eu nunca vou saber se você pensa em mim. Porque eu sei que você nunca fui para você o que você foi para mim. E porque, mesmo assim, em nenhum momento eu escolheria não ter estado ali, com você.