sábado, 1 de maio de 2010

O que você nunca vai ler, parte ? de ?

Eu queria saber por que, naquele dia, você sentou do meu lado. Ou então, eu queria lembrar, do que estava acontecendo antes, para ver se eu conseguiria entender melhor, mas eu não lembro nem do antes nem do depois. Eu lembro que era um dia de sol, que o céu estava azul e limpo, e que aqueles jardins não estavam tão odiosos como eles costumavam ser. Lembro que, em algum momento, nós dois estávamos em silêncio, e eu olhei para o céu, depois para a grama e senti o sol batendo na minha pele, enquanto ouvia o nosso silêncio compartilhado e sabia que você estava lá, do meu lado.
Eu lembro que, ali mesmo, eu já sabia que continuaria lembrando daquele instante. Que aquela cena continuaria comigo, e que quando eu parasse e pensasse nos melhores momentos da minha vida, aquele viria na minha mente. Nunca tinha sido tão bonito, tão certo. Eu nunca tinha sentido algo tão forte, tão desesperadamente forte, por alguém. E nisso eu não fazia idéia do que você estava pensando, de porque você estava ali.
Ainda, quando tem sol, céu azul e silêncio, eu lembro de você. Ainda, quando eu me pergunto se eu já amei alguém, eu penso em você. Ainda desperdiço algumas lágrimas com você, a cada dois ou três meses. Mas, para minha sorte, são poucos os dias de clima bom e silêncio em São Paulo, e eu ainda gosto mais de pensar no que está por vir do que no que já passou. Porque por mais que tenha sido bonito, dói mais do que eu acho que deveria doer. Porque eu nunca vou saber se você pensa em mim. Porque eu sei que você nunca fui para você o que você foi para mim. E porque, mesmo assim, em nenhum momento eu escolheria não ter estado ali, com você.

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