sábado, 22 de maio de 2010

O Retrato

Dia desses, há menos de um mês, eu finalmente resolvi assistir Dorian Gray, o filme, aquele com o Ben Barnes e o Mark Darcy Colin Firth. Claro, com todos os preconceitos e receios possíveis. Primeiro porque Ben Barnes passa longe da descrição física do Dorian, segundo porque nunca vi no livro história o bastante para fazer um filme.
Entenda-se, a trama é muito pouco em O Retrato de Dorian Gray, ou pelo menos em sempre vi assim. Como quase todas as outras obras do Oscar Wilde, o que importa mesmo, a verdadeira essência, é a divagação filosófica dele, também conhecida por muitos como baboseira pseudo-intelectual. Tudo que o Wilde escreve é assim - afinal, estamos falando do cara que, quando estava na prisão e foi escrever uma carta para o ex-amante dele (que era também a razão por ele estar lá), acabou gastando mais da metade das folhas refletindo sobre a vida e a natureza humana. Tem quem não goste, eu adoro. Enfim, esse não é o ponto.
Voltando, o livro não tem lá muita trama. A maior parte é o Lord Henry divagando, a outra parte, bem menor, foca no Dorian. Em questão de ação não tem muito o que falar - Dorian está no ateliê, surta depois de (oh really?) um discurso do Henry, rola o pacto com o Retrato (q), ele se apaixona pela Sybil, surta depois de um discurso do Henry, ela morre, ele vira um porra louca hedonista e amoral, sempre influenciado pelos... discursos do Henry (que quem não leu já deve ter sacado que é o verdadeiro personagem principal dessa história). Eu não estava entendendo como poderia render um filme. 
Na verdade, não rende. Tanto que inventaram umas viagens muito loucas depois da metade. Mas algo interessante é que, justamente pelo livro não se aprofundar muito no assunto, o filme vai bem na tarefa de ilustrar a trajetória do Dorian, que fica meio perdida na história. Ele é bom para mostrar a vida que o Dorian estava vivendo, criar os cenários de devassidão, o que acabou me dando uma outra visão sobre a obra, principalmente no que se refere à corrupção do personagem. 
Fiquei feliz por, mesmo com um final absurdo, o filme ter feito isso. Ainda que o Ben Barnes não corresponda em beleza nem o Colin Firth em sofisticação. Adaptações de obras são boas para isso, para te dar novas visões e coisas assim. Claro, eu gastei tudo isso para refletir sobre a importância de vencer preconceitos e de se abrir a novas perspectivas, e afinal, se tem algo em que o filme falha miseravelmente é passar para a pessoa todo esse espírito Oscar Wilde, tão belamente expresso por mim aqui.

 
Então, eu imaginava o Dorian assim. Mas também, quem não pensa no Björn Andrésen quando se fala de  beleza clássica?

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