segunda-feira, 28 de junho de 2010

And all my bones began to shake, my eyes flew open

No more dreaming of the dead as if death itself was undone
No more calling like a crow for a boy, for a body in the garden
No more dreaming like a girl so in love, so in love
No more dreaming like a girl so in love, so in love
No more dreaming like a girl so in love with the wrong world
.Einz

domingo, 27 de junho de 2010

The Unforgiven II

Ela é The Unforgiven II. The Unforgiven II é uma mentira. The Unforgiven II é uma música do Metallica que não segue o estilo musical do Metallica, e muitos dos que gostam dela só gostam porque ela é uma música mais socialmente aceitável - mais popularmente aceitável - deles. Ela é diferente das outras baladas e músicas românticas (aliás, ela não é uma música sobre amor), talvez até para o melhor. Ela não é pesada, não tem tantas guitarras e não é tão agressiva - ou genuína - como a maioria das músicas do Metallica. The Unforgiven II é uma música para quem não gosta de metal, para quem não conhece realmente metal, mas acha legal dizer que conhece e gosta de uma música de uma banda de metal, ao invés de qualquer outra música mais autêntica.
Agora, The Unforgiven II não é a música favorita de ninguém. Pelo menos não deveria ser. Isso porque The Unforgiven II está perdida num limbo de músicas deslocadas, ou seja, quem gosta de metal não vai gostar preferencialmente dela, quem não gosta também não, porque tem outras que são melhores. The Unforgiven II não é única nem ao menos dentro de seu próprio nicho de baladas de uma banda de metal, porque existe também a The Unforgiven e a The Unforgiven III
O vídeo de The Unforgiven tentou ser algo mais complexo e profundo do que a própria música, do que a maneira como a própria música era vista. Claramente, falhou. Quem tinha aceitado The Unforgiven II como a "única música que eu gosto" não era o tipo de pessoa que gosta de clipes com significados não óbvios, fotografia não tão bonita e mais de três minutos.
Ela é The Unforgiven II. Fez sucesso por um tempo, continua na cabeça das pessoas, mas não é uma música amada, ou amável. Ela é o simulacro de algo diferente, com estilo, independente e original. As pessoas podem gostar dela, as pessoas podem se apaixonar por ela, podem ter relacionamentos com ela, mas sabe, The Unforgiven II, apesar de popular, não é lá grande coisa. E todo mundo, no final, alguma hora acaba enjoando dela.

But now I see the sun

Tem músicas demais no meu coração e no meu iPod para eu gastar tempo, ou energia, me preocupando com The Unforgiven II.

sábado, 26 de junho de 2010

Nada me faltará

Última aula antes da última prova. Nós somos os persistentes. Outros abandonaram a matéria depois da primeira prova, outros depois da segunda, nós somos os que continuaram indo, assistindo, somos os que estão na faculdade praticamente vazia, onde até mesmo todo o comércio lá estabelecido já entrou em férias.
É sexta a noite. Poderíamos estar bebendo, dormindo, fazendo nada na internet. Poderíamos estar em qualquer outro lugar onde o nome Euler nunca seria citado. Estamos pensando nisso. É quando o professor, notando esse clima de desolação e devaneio da sala, pergunta:

"Vocês estão prestando atenção?"
Somos os perseverantes. Nesse ponto, só resta a sinceridade. A sala balança a cabeça, ou diz "não", na verdade tão distraída dali que nem estava pensando no que estava respondendo. O professor, desconsolado, profere uma das típicas frases dele que, quando eu já tiver passado, sentirei falta:

"Ótimo. Estive pregando para as areias do deserto"
Preciso de 2 pontos de 7 na prova de terça-feira.  


See ya in anotha life, brotha.

Ou melhor, em estatística.

sábado, 19 de junho de 2010

Like brothers on a hotel bed

Pensei que a música se encaixava, que combinava. Pensei que falava bastante desse momento, pelo qual até mesmo irmãos passam, de se afastar, de mudanças. 
Então pensei que é uma música bonita demais, delicada e complexa demais para associar a você.
E é assim que estamos agora.
(Ano passado, houve um tempo em que eu pensava na Gisele com Brothers on a Hotel Bed, e também com Fluorescent Adolescent. A diferença é que sempre que essas músicas se relacionavam com o que eu estava passando com ela, eu ficava triste. Eu me afasto da Gisele por fases de transição naturais da vida, e nós sempre acabamos voltando. Entende? Não tem como comparar. E eu não consigo me preocupar)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Brindar no Paraíso com Gauss

A faculdade é o local com a maior concentração de pessoas notavelmente loucas por metro quadrado que eu freqüento. Claro que isso se deve ao fato de que, primeiro, que pessoa normal faz um superior em exatas, e que pessoa ajustada faz, sabe, Processos de Produção. Assim, eu já sabia disso. O que aconteceu hoje foi que a magnitude desse fato me atingiu em cheio, para lembrar que não, não é melhor do que eu achava.
Estávamos estudando cálculo, matéria mais surtada de todas. É engraçado que, quando estudando assim, precisa de muito pouco tempo para que todo mundo pare de falar coisas com sentido. Talvez uma parte obscura de nosso cérebro seja ativada,  talvez  ele simplesmente esteja ocupado demais pensando para formar frases com nexo, mas chegamos a níveis que, em véspera de prova de Mecânica dos Fluidos, nego demora para lembrar o nome dois pais, mas fala direitinho a Equação de Bernoulli. Enfim, estávamos unindo nossos intelectos para entender o que o professor tinha feito em um exercício lá de limites (trivial, altamente trivial) quando, depois de eu dizer algo eu sinceramente não lembro o que foi, Alexandre balança a cabeça e diz "Você não vai brindar no Paraíso com Gauss".
Acho que minha expressão ao ouvir isso deve ter sido de maior incredulidade, ou vontade de não acreditar, do mundo. Entenda, ele estava obviamente brincando, mas formular uma frase dessas, uma frase dessas, brindar no paraíso com Gauss, a pessoa não tem mais volta. E como eu gosto muito do Alexandre, estava aterrorizada e em choque, tanto que só consegui falar um "O que?", pedindo aos céus que tivesse alguma explicação para aquele surto, o que foi felizmente respondido, quando ele disse "Nunca ouviu o Arthur dizendo isso?".
Nosso professor é um exemplo clássico de alma perdida entre sutilidades matemáticas. Agradeci por aquilo não ter surgido do Alexandre, ri com o absurdo daquelas palavras, discutimos o ato de encontrar algum cara chamado Gauss na estação Paraíso e brindar com ele, e voltamos a estudar.

Sabe, eu posso ser louca, mas continuo tendo meus limites.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Parecia uma postagem

Eu estava lendo quando me ocorreu, não tão repentinamente, o quão sem sentido é dizer algo como "Parecia X". Porque no momento em que alguém ouve, ou lê, "Parecia X", a pessoa nunca vai imaginar algo parecido com X, e sim simplesmente X. Por exemplo, alguém vem e te diz "Eu estava andando e vi algo parecido com um carro". O que a pessoa viu não era um carro, porque senão ela teria dito que era um carro - ou então podia até ser, e ela usou o "parecia" como índice de incerteza. O ponto é, você nunca vai se dar ao trabalho de visualizar algo que se pareça com um carro, mas não é - seu cérebro vai poupar esforço e colocar logo um carro. 
Não pode ser que isso aconteça somente comigo. Lendo ou ouvindo, a não ser que seja muito primordial, ninguém vai parar para criar um conceito de algo que se pareça com algo, mas não seja esse algo. E mesmo quando é primordial - digamos que estejam te falando sobre alguém que parece o Tom Cruise, você pode não imaginar o Tom Cruise, mas também não vai se desgastar trabalhando uma imagem mental. 
O "parecer", nesses casos, perde todo seu sentido. Mais fácil se alguém disser "Estava andando e vi um carro que não era um carro", ou simplesmente "vi um carro", porque pouca diferença vai fazer para quem está recebendo a mensagem. Só que aí o significado do verbo parecer não vai ser perdido. Enfim, era isso.