terça-feira, 15 de junho de 2010

Brindar no Paraíso com Gauss

A faculdade é o local com a maior concentração de pessoas notavelmente loucas por metro quadrado que eu freqüento. Claro que isso se deve ao fato de que, primeiro, que pessoa normal faz um superior em exatas, e que pessoa ajustada faz, sabe, Processos de Produção. Assim, eu já sabia disso. O que aconteceu hoje foi que a magnitude desse fato me atingiu em cheio, para lembrar que não, não é melhor do que eu achava.
Estávamos estudando cálculo, matéria mais surtada de todas. É engraçado que, quando estudando assim, precisa de muito pouco tempo para que todo mundo pare de falar coisas com sentido. Talvez uma parte obscura de nosso cérebro seja ativada,  talvez  ele simplesmente esteja ocupado demais pensando para formar frases com nexo, mas chegamos a níveis que, em véspera de prova de Mecânica dos Fluidos, nego demora para lembrar o nome dois pais, mas fala direitinho a Equação de Bernoulli. Enfim, estávamos unindo nossos intelectos para entender o que o professor tinha feito em um exercício lá de limites (trivial, altamente trivial) quando, depois de eu dizer algo eu sinceramente não lembro o que foi, Alexandre balança a cabeça e diz "Você não vai brindar no Paraíso com Gauss".
Acho que minha expressão ao ouvir isso deve ter sido de maior incredulidade, ou vontade de não acreditar, do mundo. Entenda, ele estava obviamente brincando, mas formular uma frase dessas, uma frase dessas, brindar no paraíso com Gauss, a pessoa não tem mais volta. E como eu gosto muito do Alexandre, estava aterrorizada e em choque, tanto que só consegui falar um "O que?", pedindo aos céus que tivesse alguma explicação para aquele surto, o que foi felizmente respondido, quando ele disse "Nunca ouviu o Arthur dizendo isso?".
Nosso professor é um exemplo clássico de alma perdida entre sutilidades matemáticas. Agradeci por aquilo não ter surgido do Alexandre, ri com o absurdo daquelas palavras, discutimos o ato de encontrar algum cara chamado Gauss na estação Paraíso e brindar com ele, e voltamos a estudar.

Sabe, eu posso ser louca, mas continuo tendo meus limites.

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