quarta-feira, 9 de junho de 2010

Parecia uma postagem

Eu estava lendo quando me ocorreu, não tão repentinamente, o quão sem sentido é dizer algo como "Parecia X". Porque no momento em que alguém ouve, ou lê, "Parecia X", a pessoa nunca vai imaginar algo parecido com X, e sim simplesmente X. Por exemplo, alguém vem e te diz "Eu estava andando e vi algo parecido com um carro". O que a pessoa viu não era um carro, porque senão ela teria dito que era um carro - ou então podia até ser, e ela usou o "parecia" como índice de incerteza. O ponto é, você nunca vai se dar ao trabalho de visualizar algo que se pareça com um carro, mas não é - seu cérebro vai poupar esforço e colocar logo um carro. 
Não pode ser que isso aconteça somente comigo. Lendo ou ouvindo, a não ser que seja muito primordial, ninguém vai parar para criar um conceito de algo que se pareça com algo, mas não seja esse algo. E mesmo quando é primordial - digamos que estejam te falando sobre alguém que parece o Tom Cruise, você pode não imaginar o Tom Cruise, mas também não vai se desgastar trabalhando uma imagem mental. 
O "parecer", nesses casos, perde todo seu sentido. Mais fácil se alguém disser "Estava andando e vi um carro que não era um carro", ou simplesmente "vi um carro", porque pouca diferença vai fazer para quem está recebendo a mensagem. Só que aí o significado do verbo parecer não vai ser perdido. Enfim, era isso.

Nenhum comentário: