sábado, 8 de setembro de 2012

A partir desse post, o blog fica fechado para leitores convidados. Se alguém quiser ler (vai que), só entrar em contato de algum jeito. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Você não quer conhecer o futuro

Eram duas irmãs, e costumavam ler a sorte uma da outra.
As duas filhas mais novas, as únicas mulheres. Meio-irmãs, na verdade, mas não era algo que se comentava muito. A mais velha era a mais inteligente, a mais geniosa, a preferida. Não tinha nada que o pai ou os irmãos não fizessem por ela, e ela era linda e livre. A mais nova, bom, era a mais nova. Inferior em beleza e devoção e brilho próprio. Não eram amigas o tempo todo, nem se gostavam o tempo todo, mas eram irmãs.
Ler a sorte nas cartas era algo da família. Algo que a mãe e a avó faziam, e elas tinham aprendido, em algum momento. As outras, mais experientes, mais velhas, se recusavam a tirar cartas para as duas jovens, que então tiravam uma para a outra. Coisas das duas, sentarem-se ali, com o baralho, e se debruçarem tentando encontrar prévias do que ainda viria. Os romances que as aguardavam, os futuros brilhantes que ainda estavam por vir. A mãe dizia, vocês precisam saber aceitar o que vier, e nem sempre será bom, nem sempre será melhor saber antes. Nunca era. Ler a sorte ou era sério ou era distração para pessoas curiosas, e elas eram tão novas.
Elas não ouviam. Era algo complicado, as duas tão próximas, tão envolvidas, tão inexperientes, muitas vezes as previsões das duas se misturavam. Acontecia com uma o que tinham achado que aconteceria com a outra. Nunca não acontecia nada. Eram boas, a mais nova ainda melhor que a mais velha, e a mãe só suspirava quando as duas contavam o que tinham visto e como tinha acontecido.
Viam acontecimentos ruins, apesar das boas previsões serem a maioria. Também, com elas tão jovens, que preocupações e infortúnios poderiam estar pairando sobre elas? Sempre havia uma tensão, uma ansiedade quando a outra começava a puxar as cartas, colocá-las lado a lado. O futuro estava ali, e se elas eram boas de verdade, se algo terrível aparecesse algo terrível se tornaria realidade. Mas no final, relaxavam, aliviadas, todas as vezes. Quase todas as vezes.
Um dia, leram a morte. Algo normal, esperado, o que está vivo tem que morrer, elas não tinham ilusões quanto aquilo. Não era a primeira vez também, conhecidos e familiares distantes morriam, elas previam, e era triste e doloroso mas a vida seguia.
Daquela vez, porém, era diferente. Não era um conhecido que morreria, um amigo, um namorado, ou um tio. Era uma mulher, próxima, próxima demais, e cedo demais. Cabelos negros, pele branca, e podia ser qualquer uma das duas. Elas eram parecidas, o que descrevia uma descrevia a outra, não tinha como saber. Mas era alguma das duas. Uma ou a outra.
Voltaram-se para a mãe. Ela era melhor naquilo, saberia responder. Diria que tinham lido errado, que nem sempre o que as cartas diziam aconteciam, que elas eram fortes e saudáveis. A mãe ouviu, olhou para as duas filhas, suas queridas meninas, tão diferentes, e respondeu que era ela mesma, era claro que era ela. Mas as cartas não dizem tempo, e demoraria, e elas deveriam esquecer e parar de se preocupar. Elas aceitaram, em silêncio, e esqueceram, tentaram esquecer. Pararam de tirar cartas com freqüência, se afastaram, a vida continuou.
A mãe morreu, e não muito depois, a irmã mais velha também. Uma doença lenta, demorada, e antes de morrer ela disse para a mais nova, era eu!, com um sorriso triste.
A vida seguiu, ela já não tirava cartas para ninguém, só as vezes, quase nunca, e sem muita vontade. O futuro não era doce nem promissor, só uma série de decepções, mas ela continuava. Leu a sorte das filhas, das amigas, com uma expressão séria, com um certo pesar, porque aquilo não era mais uma brincadeira entre irmãs – ela não tinha mais uma irmã.
Era um pouco pior quando a jovem era uma menina branca, cabelos negros, futuro promissor, da família. Ela leu com relutância, agoniada com a expectativa da garota, com a ansiedade. Nada de bom acontece, ela pensou, você é jovem e tola.
Viu a morte. Alguém próximo, uma amiga. É da minha família? É a minha irmã?, a garota perguntou, os olhos bem abertos, medo na voz. Não, não era ninguém da família, mas uma amiga. O que eu faço? Ela deu de ombros, o que poderia ser feito? Nada, não tem nada, você aceita, fica triste, a vida continua. Um futuro ótimo, mudanças. Prepare-se para elas. Leve três rosas, me diga o que aconteceu.

A vida continua.

domingo, 2 de setembro de 2012

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Nós estávamos conversando, ela disse “você é um milhão de vezes mais bonita do que ela”, e eu respondi que ela não era comparação. Então ela disse “mas você é bonita” e eu falei que ela era também – porque era, e é. Foi quando eu pensei em nós duas, ali, tão bonitas, tão inteligentes, e eu estava bêbada e não queria nem saber de modéstia. Nós ficamos o tempo inteiro nos julgando por outras pessoas, outros padrões, então jamais diríamos que somos lindas e legais e geniais, nunca agiríamos como se fossemos, mas naquele momento pareceu algo tão palpável, tão real, era como se devêssemos simplesmente aceitar a verdade.
Eu estava lendo Ghost World e em um momento a Enid diz isso, diz que elas duas eram lindas, como os caras não estavam loucos atrás delas? A resposta era óbvia e também é óbvia para nós duas – não estão porque não estamos preocupadas com eles. Nos preocupamos em reclamar das coisas, em nos divertirmos, em conseguirmos algo. Quando estamos juntas são raros os homens que existem, raros os que importam, porque olha, estamos descendo a Augusta e a faculdade e o trabalho e os Foo Fighters.
Ela disse “Não faz isso”, e depois “Faz para ver o que acontece”. Eu fiquei com medo e combinei uma alternativa com ela, um plano muito complexo para caso algo desse errado. Eu fiz mas fiz pensando que, não importava no que desse, em outro final de semana nós estaríamos descendo a Augusta ou indo no Hangar e céus, nada mais importava.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

I've been trying to figure out exactly what it is I need

Called up to listen to the voice of reason
And got his answering machine

I left my message but did he fuck get back to me
And now I'm stuck still and wondering how it's meant to be

 
(em homenagem aos tempos áureos desse blog, onde nenhum post fazia sentido e oito em cada dez eram letras de músicas)

domingo, 29 de abril de 2012

As notícias

Minha vida está... Tranquila. Tirando meu projeto de Tecnologia da Estampagem, com data de entrega para este sábado e que cada vez que eu me lembro dele eu sinto o início de uma sensação de desespero, está tudo bem. Normal. Amanhã vou ver meu pai e novamente, o que mais me preocupa é perder dois dias que poderiam estar direcionados ao projeto, mas não ter como fazer nada relacionado a ele também é bom. Ontem eu passei o dia na faculdade fazendo esse projeto. Hoje eu deveria ter feito também, mas o dia estava feio, quase ninguém ia no Centro Cultural, eu estava cansada e acabei passando o dia lendo e assistindo um documentário chamado Miss Representation, que é ótimo. Eu postei no meu outro blog um texto que estava parado há um mês por pura preguiça minha de digitar, e não tenho muito o que escrever aqui, mas pensei que seria bom atualizar também. 
Essa é a minha vida atualizada: Eu só me interesso por gente comprometida, o que deve ser um mecanismo do meu próprio cérebro para fazer eu não perder tempo com essas coisas. Estou tentando acordar mais cedo para ir para a estação caminhando e dobrar minha cota de exercícios físicos. Passei os últimos dias enlouquecendo com um problema respiratório de origem psicológica, que desaparecia toda vez que eu esquecia dele. Estou lendo outro Murakami, a Talita gostou do último álbum do Beirut (o que me deixa muito, muito feliz), minha mãe acha aceitável perguntar se o House vai pegar a Cuddy, eu resolvi que tiro fotos. 
E é isso.

domingo, 15 de abril de 2012

Você pagou esse valor pra sofrer pela música?

Eu não sei o que falar aqui porque não tem o que falar, ou como explicar para quem não estava lá. O sol do sábado, a grade, o Foo Fighters, a chuva do domingo, o vento, os relâmpagos, o frio, os Arctic Monkeys. A perturbação emocional no decorrer dessa última semana. Não sei o que isso diz sobre mim, mas eu iria de novo, sabendo de tudo, faria tudo de novo, do mesmo jeito. Como eu disse para quem me fez essa pergunta, quando eu for mais velha e não aguentar ficar um dia embaixo do sol, eu guardo o dinheiro.


and I wonder, when I sing along with you, if everything could ever feel this real forever, 
if anything could ever be this good again

segunda-feira, 26 de março de 2012

Jogos Vorazes, Lollapalooza

Eu sei que no post passado eu falei sobre romance e tal, e disse que continuaria dando atualizações sobre o que acontecesse nessa minha movimentada vida amorosa, mas a questão é que (novidade!) não aconteceu nada. E eu parei de me importar com essas coisas, porque né, mais para fazer na vida. Mas se por acaso eu passar por mais uma dessas situações toscas, eu conto aqui, porque eu gosto de fazer as pessoas rirem.
Aí que eu também não vou falar sobre os livros/filme dos Jogos Vorazes. Está em todo lugar, todo mundo já falou. O assunto é outro.
Estava eu na madrugada de sábado com a Talita, embaixo de chuva, no meio de uma pequena multidão espremida em uma calçada da Rua Augusta. Estávamos na fila do Beco, onde o Sugar Kane tocaria Foo Fighters, mas tudo atrasou e tinha muita gente e estava caindo o mundo, então a situação ficou aquele caos. Foi quando eu olhei para a Tata e disse "Se eles querem fazer um filme de verdade dos Jogos Vorazes, eles deveriam gravar as pessoas no Lollapalooza, porque se isso aqui está assim, lá vai ser matar ou morrer".
O Sugar Kane é uma banda que eu já vi tocar, pelo menos, uma meia dúzia de vezes, a maioria na Outs. As pessoas que estavam no sábado não estavam lá para ver exatamente eles, e sim para ouvir Foo Fighters. Quem já passou na frente sabe que aquele lugar é um inferno para entrar todo sábado, mas é de se esperar que em um particularmente chuvoso, e duas horas e meia de espera depois, só quem quisesse mesmo iria perseverar. E muita gente queria mesmo. Ficou comprovado quando, no show, o Capilé perguntou quem lá ia no Lollapalooza, e basicamente todo mundo gritou em resposta.
Ou seja, o que eu vi foi uma amostragem do que vai acontecer em menos de 15 dias.
Claro que se eu só fosse para ver as bandas de longe, sem pretensões de enxergar eles de verdade, eu não teria muito com o que me preocupar. Mas o plano não é esse. O plano é, pelo menos no sábado, pelo menos no show do Foo Fighters, estar lá perto. Não temos esperanças de conseguirmos fazer o mesmo no domingo, mas no primeiro dia sim. E para conseguir isso vai ser uma batalha de verdade.
Com isso em mente, resolvemos nos preparar antecipadamente, e montar um plano de ação. Vejamos primeiro o terreno onde se dará a luta:
O plano básico é ficar na entrada mais próxima e quando abrirem os portões, nos dirigir o mais rápido possível para o ponto 1, onde ficaremos das 12h às 20h30, quando o show supostamente começa. Nossa única movimentação no período vai se dar a fim de conseguir melhores lugares, ou com a desistência alheia ou com o povo passando mal. Nós não podemos passar mal. Não podemos ir no banheiro, nem ir comer em algum outro lugar. Teremos que segurar as 8h com os 3 copos d'água e os 3 alimentos industrializados que a organização libera por pessoa. Necessidades fisiológicas não são uma opção.
Isso ainda não garante uma visão decente do palco, porque não podemos subestimar os adversários. Eles são muitos, e também estarão preparados. Porém, nós temos nossa própria habilidade especial, conferida após uma década de utilização de transporte público em São Paulo. 
Ainda precisamos nos reunir para fazer a lista do que levar na mochila, de como iremos no preparar um dia antes (felizmente, um feriado), que horas iremos nos encontrar, como iremos para o Jockey, e o que faremos para suportar as 8 horas em pé e esmagadas, como faremos que nossa amizade sobreviva a isso. 
Felizmente, no domingo, a história vai ser outra. Conscientes de nossas limitações, esperamos apenas passear pelo festival, ver as bandas de longe mesmo, no telão, sentar, descansar, aproveitar o dia. É horrível, para mim, não poder dar prioridade para o Arctic Monkeys, mas se teve algo para que o show desse sábado serviu, além de me deixar com dor nas costas e estragar meu All Star, é reviver nossa ansiedade e expectativa para o show. Porque se no Beco, com o Sugar Kane tocando, o show já foi foda, no Lollapalooza, com o Dave Grohl e mais gente na platéia do que eu ouso pensar, vai ser muito, muito melhor. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Apaixonada e louca (principalmente louca)

Eu estava ouvindo Lana del Rey no ônibus e pensando nesse blog, quando eu concluí que o post mais engraçado que eu já devo ter feito foi esse, e que ele era engraçado porque resumia basicamente o nível de falha em que opera a minha vida. Eu teria feito mais posts parecidos se eu tivesse algum tipo de atividade amorosa acontecendo, o que não foi o caso ano passado. 2011 meio que foi bem focado em questões profissionais, e deu certo. No resto, foi o mesmo de sempre, o que por algum motivo levou pessoas a concluírem que eu era lésbica, e infeliz.
Segundo a Susan Miller isso vai mudar. Se você não sabe quem ela é, procure no google. Se sabe e está me julgando agora por acreditar nisso de horóscopo, vou só dizer que ela descreveu com exatidão o maior evento que rolou comigo ano passado, que foi mudar de área na empresa para a que eu sempre quis trabalhar. Olha, exatidão. Porém, por algum motivo, ela nunca acertou nada no quesito romântico. Eu leio os forecasts dela há um ano, e os dias do amor* raramente funcionam.
(Dias do amor são os dias que a Susan Miller coloca no final da previsão do mês como "romantic dates". Como eu não tenho nada melhor para fazer da vida, tenho o costume de marcá-los no calendário (com coraçõezinhos e tudo, porque falha pouca é bobagem) e acompanhar. Posso dizer que não sou a única.)
Eu tinha até desistido  e assumido que o forte dela é a questão profissional, mas o horóscopo de fevereiro e a minha natureza ingênua e facilmente iludida me fizeram voltar a ter esperanças. Então que Netuno entrou na minha casa do amor e vai ficar pelos próximos 14 anos, o que é uma ótima coisa. Pelo menos agora eu posso dizer que até agora as coisas não davam muito certo porque oras, Netuno não estava na minha quinta casa. Totalmente aceitável.
Nos últimos tempos eu só tive dois interesses amorosos relevantes. Um foi o F., e não vale a pena falar sobre ele. O outro foi o R., com quem ao falar do meu interesse por ele para a Talita ela reagiu dizendo "Você tem que namorar ele, vocês são perfeitos um para o outro!". Inclusive foi ela que abriu meus olhos para o imbecil que ele é, mas isso foi depois de muitas noites na Outs vendo clipe do Fratellis e pensando nele. Enfim. Também teve o D., aka Bonitão do Rock(sério, olha isso, a mentalidade dessa pessoa que vos escreve). Ele não entra na conta porque ele nunca foi uma opção viável, apesar de eu e Talita, cujo respectivo futuro namorado é o Tchuchuco do Rock, gastarmos uma boa quantia de tempo discorrendo sobre nossos relacionamentos imaginários com eles. 
Depois desse horóscopo da Susan eu fiquei atenta para o que poderia acontecer de novo. O primeiro dia do amor coincidiu com minha primeira aula de sábado, onde eu tomei conhecimento de L. Eu não dei muita atenção para ele de início, mas tendo sido a única pessoa nova que eu vi naquele dia, assimilei que podia ser ele a quem Susan se referia. L. está em todas, repito, todas as minhas aulas, e eu não consigo parar de olhar para ele. É algo na postura descontraída e confiante dele, ou no fato dele nunca ter olhado para a minha cara.
O segundo foi um dia em que eu esbarrei no R. e descobri que ele voltou a estudar na faculdade. O terceiro caiu no show do Bonitão do Rock, onde eu falei com ele e inclusive ganhei um abraço. Ou seja, nesses 21 dias de Netuno na minha casa do amor já aconteceu mais coisa do que 2011 inteiro, então eu posso afirmar com alguma propriedade que há algum sentido no que Susan Miller diz. 
Amanhã começa a ~semana do amor~, onde os sete dias foram marcados como de grande potencial romântico. Até o final do mês eu volto para falar se alguma coisa aconteceu neles, mas de qualquer jeito fica essa maravilhosa atualização e introdução aos personagens que compõe uma vida amorosa que, quem é esperto percebeu, só existe porque eu tenho uma grande imaginação. É isso, esse post está gigante, mas eu sei que você chegou até aqui porque todo mundo adora saber da vida alheia, e devido ao potencial humorístico disso que eu chamo de existência.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Quando sua vida é uma merda

Você não sai por aí resolvendo atormentar outras pessoas. Você não resolve que, visto que você não tem nada melhor para fazer com seu próprio tempo, você vai se intrometer na vida de alguém, atrapalhar a vida de alguém, se meter onde não é chamado nem bem-vindo. Sério, não faça isso. É um atestado de que você é uma pessoa patética. De que sua vida é ridícula. Porque veja bem, não tem nada de errado em ter problemas, em estar frustrado, deprimido, chateado, entediado. O problema está em não resolver isso sozinho e fugir da sua realidade indo atrás de quem está cuidando das próprias coisas.
Uma regra bem básica é: você não faz nada por ninguém que a pessoa não queira que você faça. Isso vai desde sexo até favores. Mesmo que você acredite estar fazendo algo benéfico, algo realmente muito bom, se a pessoa não concordar antes, você não faz. Todo mundo sabe disso, certo. Só sendo muito idiota para não ter noção de algo assim. Então, posto que todo mundo sabe disso, fica estabelecido que ninguém age sem o conhecimento da pessoa "beneficiada" sem ela saber, e se o faz, entra na categoria de gente estúpida que vai atrapalhar os outros ao invés de resolver os próprios problemas.
Pessoas normais se perguntam o que faz alguém resolver trollar pessoas na internet. O que motiva aquele infeliz que só quer ser ofensivo, estragar uma discussão, acabar com a paciência de um cidadão de bem. O que faz um hacker invadir a conta de uma pessoa só para trazer problemas para ela. A resposta é: a falta do que fazer com a própria vida. Gente feliz e bem resolvida não sai por aí se metendo na vida das outras pessoas, entrando onde não é chamado. Não, gente bem resolvida cuida dos próprios assuntos, trabalha nos próprios projetos, beneficia a si mesmo e eventualmente as pessoas que querem ser beneficiadas. 
Então, se você está lendo isso e sua vida é uma merda e você quer fugir dela nem que seja um pouquinho, se você quer ir incomodar outra pessoa só para espalhar um pouco da sua frustração, ou se você é um babaca que acha que faz bem em fazer coisas para as pessoas quando elas não deram consentimento ou expressaram o desejo de que algo seja feito para elas, siga meu conselho: faça qualquer outra coisa com seu tempo. 
Sério, você tem acesso a internet, existe um mundo de atividades que não envolvem mais ninguém além de você. Você pode baixar filmes e músicas ilegais via torrent, e garantir horas de entretenimento desafiando o sistema e não gastando nada além de banda. Você pode criar um blog. Perder horas vendo inutilidades no seu dashboard no Tumblr. Pode aprender receitas e ver vestidos de casamento no Pinterest. Pode criar uma conta e stalkear pessoas no Formspring. Pode jogar Robot Unicorn Attack, reconhecidamente o jogo mais nada a ver porém viciante da internet, que vem de bônus com a trilha sonora mais grudenta de todos os tempos. Pode tratar suas fotos com efeitos lomográficos fake. Pode dar uma olhada na lista do last.fm de artistas mais ouvidos de 2011 e conhecer bandas hipsters. Você pode ler notícias, ver vídeos no youtube, escrever coisas inúteis no twitter, e se estiver cansado do computador e quiser fazer algo fora dele, a lista se expande ainda mais. Entre elas, eu recomendo dançar, você gasta calorias e se diverte. Meu favorito para esses fins é o Mika:
But you only want what everybody else says you should want ♥

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Os livros lidos em 2011.

Acabei de lembrar dessa minha tradição de postar aqui os livros que li no ano que acabou. Disclaimer: A quantidade de livros que uma pessoa lê não diz muito sobre como ela é, muito menos se ela é melhor do que alguém, mais inteligente ou mais culta. Acontece que para mim, uma pessoa que gosta de ler, a quantidade de livros que eu pude desfrutar é um bom termômetro de como foi meu ano, principalmente de quanto tempo eu dediquei a fazer o que eu gosto e se eu consegui organizar minha rotina para fazer isso. 
Enfim, quem quiser me julgar. Eis a lista:

1. Bastardos Inglórios - O Roteiro Original
2. Antes que Anoiteça
3. Como me tornei estúpido
4. Norwegian Wood
5. O Talentoso Ripley
6. O Silêncio dos Inocentes
7. O único final feliz para uma história de amor é um acidente
8. Guerra dos Tronos
9. Um grito de amor do centro do Mundo
10. 1984
11. Blind Willow, Sleeping Woman
12. A Importância de ser Prudente e outras peças
13. Salomé
14. The Wind-Up Bird Chronicle
15. Contos Reunidos - Moacyr Scliar
16. A Fúria dos Reis
17. Jane Eyre
18. O Grande Gatsby
19. Do que eu falo quando falo de corrida
20. A História de O
21. 1Q84
22. A Cor Púrpura
Alguns comentários: Primeiro,a quantidade de Harukis Murakamis da lista. Segundo, são livros com mais páginas do que eu estava habituada, o que quer dizer que eu venci minha preguiça de ler livros muito longos, e que eu carreguei muito peso por aí em 2011.Terceiro, continuo com minha meta de 24 livros para esse ano, para manter uma média saudável de 2 livros por mês, e porque 24 é um bom número.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Eu tento.

Tento mesmo. Faço o que eu posso para viver minha vida da maneira que eu acho certo, seguir o que eu acredito, deixar os outros em paz. Não é por nenhuma resolução espiritual nem vontade de ser melhor do que os outros, é só porque eu acho que tem que ser assim. E só peço que os outros respeitem isso e também me deixem em paz.
Mas é difícil, é muito difícil. Eu recebo do nada um e-mail educado que acaba com a minha noite. E sabe, eu errei por ter tentado entrar em contato de uma maneira civilizada, mas não fiz nada para merecer isso. Posso estar enganada, mas sei que pelo menos não ofendi ninguém, e não tinha porque ser ofendida também. Mas no meio de uma semana eu sou obrigada a ler algo que faz um amigo me perguntar se "isso" era mesmo a minha irmã. E era, e eu tento, mas eu não consigo me controlar e erro em responder sendo ofensiva também. Eu tento, tento ignorar, tento excluir e prosseguir com a minha vida, mas não consigo. E começa a surgir algo em mim querendo retrucar, e me vingar, e vai crescendo, e só para quando eu me obrigo a lembrar que não é isso que eu quero para mim. Que eu tento viver com outros ideais. Ideais que talvez não sejam certos, que eu não escolhi para ficar exibindo por aí e me achando melhor que ninguém, são só ideais que eu escolhi para mim.
Então eu falo isso, e volto atrás tentando consertar e resolver para que ambas as partes prossigam com a própria vida, em paz, como pessoas normais fazem em um mundo ideal. Só que eu preciso dormir e mesmo assim fico pensando, lembrando que não costumava ser assim, que não devia ser assim, que família deveria ser onde as pessoas se apoiam, se dão bem, não onde você se vê obrigada a excluir totalmente uma pessoa que já foi a mais importante para você, para que você possa prosseguir com a sua vida de algum jeito saudável.


É claro que nada é assim. Que na verdade as pessoas tem mais conflitos, mais problemas, e são piores do que nós imaginamos que elas são, e nada é como você pensava, e que as coisas que você acreditava muitas vezes estão erradas. 
Eu continuo tentando.

P.S.: Eu sei que ninguém lê isso aqui, e os poucos que leem conversam comigo e já sabem disso, mas eu comecei a postar no meu novo blog, o Man-Eating Cats, que pode não parecer pelo nome, mas é sobre feminismo. Ou a minha visão do feminismo. De qualquer jeito, fica registrado.