quarta-feira, 24 de abril de 2013

a seguir

A vida é cheia de possibilidades, às vezes possibilidades demais. Falando com minha irmã ontem ela me disse que eu deveria decidir o que eu queria, e ir atrás, mas como eu vou decidir o que eu quero? Eu não faço idéia. São muitas opções, muitos caminhos, e eu consigo me imaginar seguindo cada um deles. Ou talvez eu consiga sonhar com cada um deles.
Estou prestes a terminar a faculdade e me parece que daqui para frente, não tenho mais nenhum rumo específico a seguir. Até então era muito claro - concluir o ensino superior, trabalhar - mas com esse passo concluído, não tem mais nada que eu precise obrigatoriamente fazer. O que eu vou atrás a partir de Julho, qual o próximo objetivo?
Eu não quero tirar os famosos seis-meses-que-viram-um-ano-ou-mais para decidir o que eu vou fazer a seguir, porque eu não vi ninguém que fez isso e voltou, de fato, a estudar. Logo, o que eu decidir, tem que começar semestre que vem, para eu já aproveitar o ritmo absurdo da conclusão do curso e aplicar na minha próxima empreitada. Entendo o atrativo de tirar um tempo para pensar, e fazer uma decisão correta e acertada, mas tempo, quem tem tempo, para o que quer que seja?
Tem esse trecho em Reparação, quando o Robbie está indo para o jantar em que tudo acontece, que ele tem esse pensamento, de que ele é jovem e tem toda uma vida pela frente, cheia de possibilidades. E ele volta a se lembrar desse momento quando ele perdeu praticamente tudo, volta a se lembrar do breve período em que ele podia fazer, de fato, qualquer coisa. E eu fico pensando nisso, que daqui a pouco a vida acontece, que eu vou estar presa em prestações de carro ou casa,  pensando em relacionamentos e família, emprego estável, e aí, bem aí, vai ser improvável mudar.
Então vem essa urgência, de fazer algo e fazer logo, de que se eu vou me dedicar a qualquer coisa empolgante e extraordinária, tem que ser agora, enquanto eu não tenho muitas obrigações ou responsabilidades, enquanto eu tenho disposição para me enfiar em qualquer objetivo maluco. Mas qual objetivo? Eu não consigo escolher, e não quero deixar para escolher com o tempo, porque aí a escolha vai ser dele e eu não vou ter opção nenhuma.
Possibilidades demais, como eu disse.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

on a race

É incrível, essa sua capacidade de se voltar para mim no exato momento que eu me volto contra você.
Eu tinha acabado de escrever um texto muito conciso, que terminava em um tiro de largada, e estava juntando todo meu material como se eu precisasse urgentemente sair dali e fazer algo, e eu precisava. Meu texto era sobre como eu tinha acabado de decidir ir atrás de algo muito complicado, que vai exigir muito esforço e dedicação, que eu quero muito, e que eu estou completamente determinada a conseguir. E enquanto eu jogava tudo na minha mochila com pressa, você virou para mim, começou a me olhar.
Eu nem olhei para você quando perguntei porque você estava me olhando, mas olhei quando você respondeu que era porque gostava de interagir comigo. E você tem essa expressão capaz de me fazer gastar horas tentando decifrá-la, porque eu nunca sei o que você quer ou o que está pensando, mas eu não tinha tempo para aquilo. Eu não tenho. Então eu falei que aquela matéria estava alterando sua mente, me levantei, te dei um beijo e saí da sala, sem esperar para ver sua reação, sem olhar para trás.
Indo embora eu ainda pensei em voltar para trás, falar com você, sabe, vamos resolver logo isso. Mas eu tenho um objetivo a minha frente, e ele atropelou você, meu querido. You're gonna miss me when I'm gone.