quinta-feira, 27 de junho de 2013

last night i dreamt that somebody loved me

Hoje eu tive essa sensação insana de que alguém me amava (amava no sentido de estava apaixonado por mim, porque outros tipos de amor eu já tenho, estou tranquila, muito obrigada).
Claramente essa sensação foi fruto único e exclusivo dos meus delírios, dessa minha capacidade maravilhosa de extrapolar idéias mirabolantes e visualizar futuros incríveis de coisas que são, no mínimo, banais. Então eu senti essa euforia, a emoção de ter finalmente chegado em algum lugar, como se agora fosse só uma questão de tempo para tudo se concretizar. Alguns dias atrás, em um surto pedante e aleatório de lirismo eu havia dito para essa pessoa que estava em uma estrada abandonada, perigosa e mal iluminada que ficava me dando sinais de “Pare”, “Volte agora” e “Caminho sem saída” mas eu continuava seguindo, com alguma esperança imbecil de encontrar algo que valesse a pena no final. E hoje, por alguns momentos, parecia que eu realmente estava chegando no final da tal estrada e veja só, jackpot!
Obviamente, a sensação durou pouco. Por mais propensa que eu seja à auto-ilusão, em algum ponto eu me forço a uma análise objetiva que, novidade, refuta tudo. Olhei para trás, contemplando a empolgação, o fio de esperança que ainda não havia se dissipado totalmente, e com alguma decepção encarei minha vida, como ela é, de verdade – sem pequenas invenções para garantir algum dinamismo. Toda emoção é dor. 

no hope, no harm, just another false alarm

terça-feira, 25 de junho de 2013

on fire

Ingênua, eu achei que depois da prova final e da entrega de um projeto, e com a monografia finalizada faltando só imprimir e encadernar, eu ia ter uma semana tranqüila. Sem preocupações com a faculdade (tudo quase acabado!), praticamente formada. Fica a lição que, quando trabalhando com gente sem comprometimento, qualquer coisa pode dar errado. Nesses últimos dias eu tive alguns momentos de conflitos relacionados a questão de gênero (ir viajar para uma casa de praia com mais 20 homens, sendo eu a única mulher?), mas nada como o que aconteceu hoje, quando um dos integrantes do meu grupo, que não fez praticamente nada – e o que fez, fez mal feito – se achou no direito de não só me ofender, mas insinuar uma ameaça de agressão.
Isso vai além da problemática habitual do trabalho em grupo – não é só aquela constante das pessoas que não fazem nada e se sentem ofendidas/acuadas quando você aponta isso – é esse cara se achando no direito, na garantia divina de que pode me falar o que quiser, pode fazer o que quiser. E eu não consigo, não consigo ceder, nem para resolver tudo, nem para parar com o stress. Eu não consigo aceitar o que ele diz e o que ele quer que eu faça, mesmo sabendo que não tenho muitas alternativas, que nada do que eu possivelmente fizer vai mudar a situação. Eu vou continuar sendo quem levou tudo nas costas, e ainda teve que ouvir que não fez nada disso. Talvez o pior seja ouvir isso de quem está "do meu lado", ouvir que eu tenho que abaixar a cabeça e ceder em prol de não criar conflito.
Esse blog as vezes me soa como uma série de recados para o futuro, descrições dos meus sentimentos e problemas atuais para que eu chegue, daqui alguns dias, meses ou anos, e ria de como tudo passou, de como deu certo, de como na verdade não importava. É como se eu buscasse consolo numa Bruna que ainda está por vir, uma Bruna que vai falar "Monografia? Kelvin? Diogo, Luigi? FATEC? Quem se importa, ou como eu, algum dia, me importei?".
Mas até ela chegar eu continuo perdendo meu tempo com coisas que eu sei serem perda de tempo. Eu continuo sendo a Bruna que quer criar conflito.Buscando conflito como quem acredita que é a única maneira de se ter alguma coisa acontecendo.
Eu preciso mesmo que a faculdade acabe, e eu possa finalmente descansar.