sexta-feira, 4 de outubro de 2013

every love story

Talvez eu seja pedante, eu não sei. Talvez tudo isso soe pedante, ou ingênuo, mas eu não me importo. A questão é, tudo que eu tenho lido ultimamente é David Foster Wallace, e eu adoro ele. Adoro em um nível que abrir o Kindle e retomar o que quer que seja que ele estava falando tem se tornado o ponto alto dos meus dias. Em um nível que eu fico feliz lendo reviews e comentários de gente que também gosta dele, e em um nível que ler um parágrafo na Rookie hoje de manhã sobre ele deixou meu coração apertado (ou melhor, me deixou triste), como pensar na morte dele sempre me deixa.
Eu fico triste que algo assim tenha acontecido com ele, alguém que, na minha visão, parecia estar realmente tentando ser uma pessoa boa, e viver a vida decentemente. Faz com que eu pense que o mundo é injusto (e ele é, ele é) e que talvez seja errado/prepotente da minha parte, me sentir mal assim por alguém que eu não conhecia e nunca vou saber como era, de verdade (então eu digo que eu adoro e estou apaixonada pelo DFW dos livros, dos essays, a visão que eu tenho dele na minha mente, porque talvez assim seja menos ingênuo e ofensivo). Mas veja bem, eu não me sinto assim por quase ninguém – algo que já ficou bem estabelecido sobre mim é que eu simplesmente falho em me importar ou sequer pensar nas outras pessoas, com algumas poucas exceções que são tão poucas que são exceções mesmo – mas sinto por ele, justamente alguém que falava sobre a importância de pensar nas outras pessoas, sabe. E eu estou tentando, de verdade, ser uma pessoa melhor, consertar essa minha personalidade que eu sei que é arrogante, prepotente, individualista e muitas vezes simplesmente grossa, e ler os livros dele tem ajudado muito, não tanto em um sentido auto-ajuda da coisa, mas em um sentido que ele realmente me faz pensar, ou em casos extremos, tira minha mente do que está me irritando e fazendo aflorar esse meu gênio ruim.
O Karaniya Metta Sutta diz “Como uma mãe arriscaria sua vida para proteger o seu filho, seu único filho, da mesma forma, com relação a todos os seres, cultive um coração sem limites. Com boa vontade para todo o universo, cultive um coração sem limites: Acima, abaixo e em toda volta, desobstruído, sem hostilidade ou ódio. Quer seja parado, andando, sentado, ou deitado, esteja alerta todo o tempo,mantenha essa atenção plena com determinação”, o que é exatamente toda a mensagem do This is water, se você parar para pensar. E eu tenho tentado aplicar isso, com as pessoas que eu conheço e os estranhos no transporte público, assim como eu consigo aplicar com um escritor americano que eu nunca vou conhecer. Parece besta, e essa deve ser a afirmação mais ingênua/ofensiva (?) desse texto, mas parte de mim quer honrar a memória dele – não que ele precise que eu faça isso, ou que eu esteja em posição de fazer isso, mas é parte do sentimento, responder às coisas incríveis que eu li dele sendo eu mesma uma pessoa mais decente. Eis aqui minha história de amor de 2013. 
Em uma nota relacionada, eu voltei a escrever.