segunda-feira, 24 de março de 2014

apenas que

Minha vida definida em três mensagens do whataspp.

quinta-feira, 20 de março de 2014

ao mestre, velho buk

Publicado originalmente (q) no dia 10/03/2014, no meu facebook
Aí que hoje eu sonhei que eu tinha virado aprendiz do Bukowski, ou seja, que ele estava me dando aulas de escrita criativa. O engraçado nisso é que se me perguntarem se tem algum escritor que eu detesto, eventualmente eu vou pensar no Bukowski. Não suporto, gente, não consigo. E são poucos os autores que me causam essa aversão, só acontece com ele mesmo, acho, e talvez com o Nick Hornby, o que pode estar relacionado mas eu não estou pronta para refletir sobre isso agora, obrigada pela compreensão.
Ok, o sonho. Eu falo que era aprendiz do homem, e não aluna, porque eu de fato passava o dia com ele fazendo coisas não muito relacionadas a escrever. Calma. Por exemplo, em uma das cenas nós estávamos em um carro, ele dirigindo enquanto contava as moedas que tinha recebido pelos escritos dele, coitado, e eu só pensava que ai meu deus, eu ia morrer em um acidente com aquele maluco e ele nem estava bêbado. Aí víamos um grupo de pessoas andando no canteiro central da avenida, e o diálogo que se seguia era:
- Bruna, por que aquelas pessoas estão ali?
- Não sei, Buk*. Acho que estão pedindo carona. 
- As jovens parecem judias. Elas são judias? 
- Não faço ideia.
- Eu vou parar. A gente pode parar? 
- Não tem espaço no carro, Buk.
Mas ele parava mesmo assim, porque logo depois eu estava conversando com uma garota no carro e me perguntando que tipo de pessoa aceitava carona do Bukowski. Corte de cena.
Meus sonhos são muito complexos, sabe, quase sempre essa confusão de situações e temas malucos. Eu costumava achar que todo mundo era desse jeito mas quando eu conto algum deles a reação típica é algo como "nossa, você é estranha, os meus nunca têm histórias assim". Dizendo isso para explicar porque em determinado momento eu estava treinando para ser uma Amazona com a Xena, a Princesa Guerreira. O pior é que fácil saber de onde veio isso, ontem mesmo eu estava refletindo sobre a antiga programação vespertina da Band / Record. Eu passo bastante tempo pensando nisso, aliás. 
Enfim, terminado o treinamento e sendo eu agora uma Amazona, e eu já fui Hipólita numa encenação de Sonho de uma Noite de Verão, uma informação irrelevante que eu só coloquei aqui para aumentar o grau de loucura desse relato, a Xena ia embora para o mesmo hotel em que eu estava hospedada com o Bukowski. Ele via a Xena e resolvia que ia pregar uma peça nela, fazendo um boneco com a cara do filho morto (?) dele para ela se apaixonar. Minha reação diante do plano era dizer:
- Buk, isso é meio machista, tentar desmoralizar uma heroína forte através da sexualidade dela.
Achei verídico. 
Buk, claro, nem ouvia meu comentário, e me colocava para recortar com um estilete uma foto do filho falecido dele, que na verdade era o cara que fazia o Edward Ferrars no Sense and Sensibility da BBC, que não, nunca assisti e nem li, mas foi meu resultado ontem no excelentíssimo teste do BuzzFeed sobre qual herói da Austen era feito para você. Eu reclamava que cortar com estilete era horrível, e pegava uns papéis jogados na mesa para usar como apoio, antes de desistir e recortar com uma tesoura mesmo. Terminado, Bukowski colou a foto num balão branco, substituiu a cabeça de um manequim pelo balão e deixou a obra de arte na porta do quarto da Xena. 
Bom, o plano deu certo, porque o sonho me mostrou a Xena em uma camisola lilás na cama com o boneco do Edward Ferrars / Filho falecido do Buk, o que achei meio desnecessário. Nisso eu virava para o Buck e perguntava:
- Feliz com seu sucesso? 
Ao passo que ele respondia, com uma expressão triste e perturbada:
- Não. Acho que o que eu queria mesmo era dormir com ela, mas sabia que jamais conseguiria, aí fiz isso.
O que cortou meu coração, e ainda faz com que uma recém-descoberta simpatia surja em mim quando eu penso nele. Ainda não gosto dos livros, mas sabe, pobre Buk. Para terminar, meu mestre ia pegar uma dose de sei lá o que para beber, e eu aproveitava para perguntar:
- Mas e aí, Buk, e as aulas de escrita? 
Ele olhava em volta, bebia um pouco e respondia:
- Eram esses papéis aí que você cortou. Fica para a próxima, garota. Aproveita e vai ler um livro.
Boa, Buk, boa.

*Pensei em preservar minha dignidade e falar que eu me dirigia a ele como "Sr. Bukowski", porque na vida real eu me recuso a dizer Buk e quero morrer de tristeza e vergonha quando alguém faz questão de falar Velho Buk. Mas no sonho a convivência tinha feito com que eu falasse Buk, mesmo.